Quinta, 28 Dezembro 2017 00:00

Documentário mostra processo de imersão e rotina de mulheres do candomblé

Escrito por 

heloa

Nas religiões de matrizes africanas, Oxum é a deusa do amor, da riqueza, da maternidade e, ainda, representa a família. Agora, o Orixá da beleza também é o tema central do documentário "Eu, Oxum", produzido e dirigido pela atriz, cantora e compositora, Héloa, e por sua mãe, Martha Sales -- ambas, amantes e pertencentes ao candomblé. A obra tem vinte e dois minutos de duração e revela, de maneira simples e poética, a vivência das mulheres do terreiro Ilê Axé Omin Mafé, localizado em Riachuelo, no Vale do Cotinguiba.

O filme nasceu da experiência da dupla com os rituais e costumes vividos no terreiro e da necessidade de extirpar a invisibilidade que insiste em marginalizar os seguidores da religião. "O desejo de fazer esse filme parte muito da minha própria experiência de conexão com esse lugar e com essas mulheres. E isso foi se tornando cada vez mais forte nos meus vários retornos que eu fiz ao longo do ano a Sergipe, quando vinha para me cuidar espiritualmente e conviver nessa casa, que fica na cidade de Riachuelo", conta Héloa.

Falar de Oxum é, segundo Héloa, a aceitação das origens. É reconhecer qual a sua missão e o que deve fazer para cumpri-la. “A partir do momento em que aceitei que precisava cuidar dessa força, que é uma força vital e que me mantém firme, inclusive, para seguir a carreira artística e para me reafirmar enquanto mulher negra sergipana também nesse lugar, tive força na minha caminhada e entendi que eu não estou só”.

O local escolhido para as gravações, dirigido pela ialorixá “Mãe Bequinha”, fica numa estreita rua do município e faz parte da história de Héloa, que revela ter uma conexão transcendental com a casa.  “Este Ilê é um lugar de muita força ancestral e de uma simplicidade muito peculiar. Retornar à Riachuelo e me ver nas histórias dessas mulheres, neste lugar, com essa força da natureza, com essa conexão, é muito importante. Pois, além de tudo, nos permite falar das expressões e das presenças africanas que existem em nosso estado e de uma região ainda pouco conhecida”, explica.

A figura materna de Oxum, para Héloa, é notório em cada mulher que compõe o documentário. “Através de suas vivências, construção de identidade e seus processos de encontro com a matriz africana, com essa força e energia configurado na figura materna do orixá Oxum,  que está fortemente presente neste lugar, essas mulheres expõem uma atmosfera de simplicidade e desconstrução de muitas coisas, sobretudo do que muitas pessoas pensam sobre um terreiro de candomblé. A nossa intenção foi tentar desmistificar toda a imagética que se tem dos nossos procedimentos, trazendo visibilidade de uma maneira leve e muito fiel a realidade do cotidiano deste terreiro”, finaliza.

O documentário está disponível no canal oficial da cantora, no YouTube.

|Por Soma Notícias
|Foto: Reprodução


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