Especial

A VIDA TÁ MUITO BLACK MIRROR

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
Por Diogo Souza, o Cara do Espelho.

http://www.facebook.com/diogocaradoespelho | http://www.instagram.com/caradoespelho

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Faz um tempo que eu pedi aos seguidores do Cara do Espelho sugestões de temas para posts e vídeos no blog. Um dos temas foi a solidão na era da internet. Quando recebi a sugestão, iniciei um texto com coisas que pensava a esse respeito. Também fiz uma pesquisa na internet sobre o tema e montei uma lista do que eu achava que poderia ser.

Mas eu precisei de alguns meses para realmente entender o que era esse sentimento de solidão em plena era das comunicações digitais. Em mim, isso começou com aquele período em que ficamos cismados das coisas, com as pessoas e seus comportamentos a nossa volta. Então, todas aquelas publicações engraçadas, emocionantes, religiosas e sensuais que apareciam no feed do Facebook começaram a me incomodar.

Foi aí que encontrei um dado que me fez refletir sobre isso. Pesquisadores da Universidade Edinburgh Napier, da Grã-Bretanha, entrevistaram 200 estudantes que usuários do Facebook e outras redes sociais e listaram as situações que mais geram estresse. Dos alunos questionados, 12% disseram não gostar de receber novas solicitações de amizade, enquanto que 63% demoram para responder a esses pedidos. Os pesquisados afirmaram que se sentem pressionados para fazer atualizações criativas e manter seus perfis atualizados.

Essas e outras coisas estavam me deixando estressados, mesmo sem eu perceber e entender o motivo. Li que quando estamos sob estresse e ansiedade, as redes sociais e todo esse mundo virtual, que adotamos como real, começam a nos incomodar. E, nessas horas, segundo os especialistas, o melhor para nossa saúde é desconectar.

Então, depois de muito estresse, desativei minha conta no Facebook. Eu até achei que seria o fim desse foco de estresse, mas não. A grande maioria dos aplicativos e ferramentas online que uso para trabalhar estavam conectados ao Facebook. O Spotify, por exemplo, nem ao menos oferecia a possibilidade de logar sem a rede social (problema resolvido com o suporte, que está de parabéns). Tudo dependia do Facebook.

Foi aí que eu comecei a perceber a gravidade da coisa. Estou no Facebook há mais de seis anos e, de lá para cá, foram duas contas e milhares de informações que lancei na web para as grandes empresas do ramo dos algoritmos. Não tinha um dia que não olhasse o face, curtia e comentava coisas, compartilhava meus momentos, meus textos e minhas fotos. E, mesmo quando não tinha nada de interessante, o Facebook ainda dava um jeito de apresentar memórias antigas.

Mas de uns tempos para cá, tenho ficado mais ranzinza, é verdade.E toda aquela interação superficial, as brigas de opiniões, as receitas de bolo, as brigas religiosas, os bichíneos fofos e o deboche com a vida dos outros começaram a me incomodar profundamente. Coisas que eu faço e acompanho todos os dias, de repente, me pareciam autopromoção, falso, mentiroso...

Quando me desconectei do Facebook, também tentei diminuir o acesso às outras redes sociais e foi aí que percebi que a coisa era mais grave. Comecei a analisar as coisas ao meu redor. Até a avaliação do Uber, tanto a que você dá quanto a que recebe, é motivo de preocupação exatamente como no episódio “Nosedive” da série Black Mirror, que mostra como a dependência por likes pode afetar a vida de uma pessoa. Em todos os lugares, as pessoas à minha volta estão sempre com o celular na mão, sempre atualizando suas histórias, status e grupos. Uma mesa de rodeada de amigos com todos vidrados nos seus smartphones.

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Abre a boca, mana! Quem disse que as manas não podem falar sobre tudo? Pois é, aqui a gente vai conversar sobre as políticas envolvendo a comunidade LGBTQ, a criminalização da transfobia, lesbofobia e homofobia, o mercado de trabalho, as incríveis histórias de vida, denúncias e a importância da representatividade. A coluna é um espaço para novas frentes de pensamentos sobre o universo LGBTQ em Sergipe.

Prazer, Jonatan Santana!

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Já falei, há alguns dias, sobre a diferença de cada letra na sigla LGTBQ. Mas, hoje, quero conversar com vocês sobre algo ainda mais importante: visibilidade. Segundo o dicionário Aurélio, essa palavra significa “caráter, condição e/ou atributo do que é ou pode ser visível, ser percebido pelo sentido da vista”. E, por isso, é tão necessário bater nessa tecla.

Nós, pessoas LGBTQ’s, continuamos sendo invisibilizados a todo instante. E isso acontece em casa, na rua, no trabalho. Em todo e qualquer ambiente. Inclusive dentro da própria comunidade. E, se você é transexual ou transgênero, o problema tende a ser ainda maior.

Para aqueles que ainda não sabem, transexuais são pessoas que nasceram com um gênero (homem ou mulher), mas que não se identificam com ele. Por exemplo, a mulher trans nasce com o sexo biológico masculino, mas a sua identidade de gênero, que é a forma como ela se percebe -- e orientação sexual -- são geralmente femininas. Não são travestis, pois, neste caso, são pessoas que têm o sexo biológico masculino, mas que possuem identidade de gênero ambígua. Elas, no caso, as travestis, podem se identificar tanto com seu lado homem, quanto com seu lado mulher e ter orientação sexual fluída. E cabe a cada pessoa dizer ou definir o que ela é. É ela quem define e decide como quer ser reconhecida. Transexual, não. Elas precisam ser reconhecidas como aquilo que são. Independentemente de você concordar ou não. Um homem trans é homem e uma mulher trans é mulher. Redundante isso? Talvez. Contudo, enquanto isso não for entendido e respeitado, continuarei batendo nessa tecla. Sem parar.

Então, voltemos ao início, quando pensei em falar – de novo e novamente – sobre visibilidade, queria, realmente, comentar sobre o personagem Ivan, interpretado pela atriz Carol Duarte , da novela “A Força do Querer”, encerrada na última sexta-feira, dia 20. Vi muita gente aplaudir, questionar e, muitos outros, criticar. Principalmente dentro da própria comunidade.

Confesso, não acompanhei a novela. Para ser bem sincero, a última que vi foi “Avenida Brasil”. E isso já faz alguns anos. No entanto, saber que tinha um personagem de um homem trans no folhetim das 21h -- que, embora tenha sido interpretado por uma mulher cis, teve acompanhamento integral do ativista e homem trans Tarso Brant --, me deixou feliz. Ainda que não tenha visto um só capítulo, acompanhei a evolução da personagem, via textões nas redes sociais. E, sinceramente, me incomodou bastante a postura de alguns sobre a construção da personagem. E, me incomodou mais ainda, o fato de muitos não reconhecerem que essa foi a primeira trama que tratou do assunto na TV aberta. E em horário nobre.

Outro ponto que vale destaque é que: o personagem trans, que passou por maus bocados com a mãe que não entendia sua orientação de gênero, ganhou total acolhimento no ombro amigo de Nonato/Elis Miranda, personagem vivido por Silvero Pereira, que vivia uma dualidade de ser transformista na noite e motorista particular durante o dia.  Esse personagem em questão deixou claras as dificuldades que as travestis têm de conseguir espaço no mercado. Por isso que se viu obrigado a camuflar sua verdadeira identidade para ter um emprego.

Ou seja: numa única novela tivemos um transexual e uma travesti. Isso tudo sendo visto por milhões de pessoas. Diariamente. Vale lembrar, gente, nós vivemos num País que mais mata travestis e transexuais no mundo e, para mim, ter esse espaço – que, como muitos disseram, começou bem pequeno, mas ganhou projeção – foi importante, sim. E muito. 

Vi alguns falarem que não “se sentiram representados” e, cara, estamos falando de uma novela. Que possui diversos núcleos e reviravoltas. Mas a personagem estava lá. Em destaque. Não sou do tipo que aceita migalhas. Mas, para quem tem fome, um primeiro pedaço de pão já faz uma diferença das grandes. 

Por isso, gente, vamos aproveitar esse primeiro espaço para, assim, inserirmos mais pautas nossas na televisão aberta. No horário nobre, de preferência. Vamos, a partir de então, cobrar mais e questionar menos. E, quando falo em questionar menos, estou falando em relação a novela. Na vida, continuemos a lutar. A problematizar em todos os assuntos que nos cabe. Todavia, nesse em questão, fiquemos com aquele sinalzinho de esperança. Amanhã teremos mais oportunidades. E, assim, seguiremos. Alcançando um degrau por vez.

OU RESPEITA OU LEVA BAN

Sim Negra

Morena”, “parda”, “mulata”, “caucasiana escura”... sempre se utilizam de eufemismos, como se a cor negra fosse um problema, um defeito. Chega de eufemismos, chega de ignorar o óbvio: somos negros. Mestiços ou não, de pele mais clara ou não, carregamos em nossos traços, narizes, cabelos e corpos a benção da negritude.
Carregamos luta, carregamos força. Nada de diminuições, é negra. 
Prazer, Thiarlley Valadares. Sim, negra!

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Noite de segunda-feira, visitava sites de notícias para me inteirar do que acontecia a nível nacional, quando me deparei com a seguinte manchete: “Redação do ENEM que desrespeitar direitos humanos pode receber nota zero”. Confesso que, de primeira, não tive reação. Cliquei, li a frase novamente, passei os olhos pela matéria e então, um sorriso vitorioso se abriu em meus lábios.

Sendo este o décimo mês de 2017, era esperado que “direitos humanos” fosse algo cotidianamente respeitado. Todavia, o que mais debatemos principalmente na internet é o direito de ir e vir de cada um, o direito da diferença, o direito de ser quem é, sem que nada venha pré-determinar seu caráter ou futuro. Nossa realidade é repleta de diferenças sociais gritantes, onde o homem, branco, heterossexual, de classe média-alta e cristão se sobressai em direitos e privilégios.

E é engraçado que esse tal de privilégio causa certa cegueira naqueles que o usufruem, são inclusive, os primeiros a dizer que “o mundo politicamente correto está chato” e diversos outros discursos que minimizam nós, diferentes.

Nós, marginalizados.

Assim, quando o Instituto Nacional De Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) informou que ideias contrárias aos direitos humanos, como: defesa de tortura, mutilação, execução sumária e qualquer forma de “justiça com as próprias mãos”, além de incitação a qualquer tipo de violência motivada por questões de raça, etnia, gênero, credo, condição física, origem geográfica ou socioeconômica e a explicitação de qualquer forma de discurso de ódio voltado contra grupos sociais específicos poderá ZERAR notas nas redações do ENEM, começando já este ano, foi mais um grande passo.

Um grande passo para que a realidade desigual deste país possa ser mudada.

É claro que muitos poderão respeitar apenas no papel, escrever palavras bonitas para garantir a vaga na universidade. Porém, só o fato de vê-los engolir o próprio ódio e necessitar nos respeitar por um motivo específico, também nos alegra, ao menos, com a ironia.

No mais, é isso: ou você nos respeita ou leva ban. Este é apenas o primeiro. 

SOBRE OLHAR O CÉU

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
Por Diogo Souza, o Cara do Espelho.

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Você já olhou para o céu e se sentiu tão pequeninho quanto um grão de areia? Não? Deveria. Desde guri sou fascinado pelos céus. Aprendi que era lá onde Deus movimentava e observava toda essa loucura toda aqui em baixo. Também ficava imaginando se haveria, por essa imensidão espacial, outro moleque observando os céus como eu, adoraria conhece-lo.

Acredito que olhar o céu e se reconhecer como uma pequena parte de um todo, até então conhecido como infinito, é o maior ato de humildade e de humanidade que um ser humano pode fazer. Isso independe de crenças religiosas ou de rituais. É voltar às origens, voltar bilhões e bilhões de anos-luz até o Big-bang e simplesmente explodir e expandir. É expandir a mente ao infinito e saber que o céu não é o limite.

Saber que assim como as estrelas, todos aqui em baixo seguimos nossas órbitas (regulares ou não). Somos como constelações, estrelas que se observadas isoladamente não fazem muito sentido, mas em conjunto com outras, ainda que distantes, constituem formas, desenhos e significados. Olhar o céu me faz lembrar que precisamos um do outro para fazer sentido, que não somos o centro de nada, que há uma força maior nos guiando (divina ou meramente social, não sei). Olhar a imensidão do universo não me faz sentir pequeno, muito pelo contrário, me sinto especial. Isso me faz sentir único! Um cara extremamente sortudo por fazer parte de algo tão grandioso como a vida.

AMÉM AO AMOR

Transtorno Poetico

Poeta, escritor, compositor sergipano e parceiro musical de muitos; idealizador do projeto literário multimídia Transtorno Poético; integrante do duo InspiraSons - um misto de música e poesia que vem percorrendo saraus pelo Brasil afora; duas vezes finalista do Festival Sescanção; premiado no Festival de Música da TV Atalaia enquanto compositor; criador e um dos produtores culturais do evento Pôr do Sol, Som & Poesia. Pelos meus caminhos, busco reunir trabalhos autorais em diversos segmentos artísticos e trazer a poesia para o cotidiano, para bares, casas de show e festivais.
Prazer, J. Victor Fernandes!
www.transtornopoetico.tumblr.com | www.facebook.com/transtornopoeticoo | Instagram: @transtorno_poetico, @inspirasons | 

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É o mesmo ódio que vandaliza o túmulo de Chico Xavier, que invade os terreiros de umbanda, se escandaliza com o nu artístico e oferece um vaso com cicuta para o filósofo, por uma escola supostamente sem partido e com um Deus vingativo

É também o mesmo ódio que causou o genocídio na segunda grande guerra, queimou bruxas em tantas "santas" inquisições e baixou os dedos no coliseu

É o mesmíssimo ódio brilhando na retina que mira inocentes, executados sem piedade por fuzis em promoção, na invasão de países, escolas, igrejas e centros comerciais

É o mesmo ódio que dizimou as civilizações nativo-americanas, escravizou tantos povos, extinguiu tantas espécies... Por todos os séculos e séculos...

É o mesmo ódio fariseu que torturou e assassinou lentamente quem só ensinou a amar, diz por Ele estar lutando e deixa sempre escapar - bandido bom é bandido morto!

É exatamente o mesmo ódio da chibata nos pelourinhos e paus-de-arara da ditadura militar

É o mesmo ódio nas cruzadas das redes sociais e que escorre nas páginas policiais

É o mesmo ódio que se repete assustadoramente atemporal em guilhotinas de última geração e forcas high tech para o divertimento geral

É em si a alma do poder, a essência do egoísmo e a raiz de todo mal

É o mesmo ódio que matou Gandhi, Malcon X, igualmente tantos irmãos "Y", "Z", Santos indigentes, jornalistas, professores, com milagres e lágrimas de sangue... O mesmo que mata de fome crianças pelo mundo inteiro, que matou Chico Mendes, Irmã Dorothy e mais alguém neste exato momento... E vem matando por todos os séculos e séculos - amém!

É o mesmo ódio que dá mais crédito ao Capeta do que à nossa capacidade de mudar sem o medo

É o mesmo ódio... Porém é também o mesmo amor que ainda não aprendemos a aceitar - por todos os séculos e séculos - É PRECISO DAR AMÉM AO AMOR.

------------- J. Victor Fernandes.

 

PRÓXIMAS PARTICIPAÇÕES E DICAS CULTURAIS

Viva Bechior CHE

VIVA BELCHIOR! – HEITOR MENDONÇA E CONVIDADOS NO CHE

Comemorando o aniversário de Belchior e celebrando a vida desse baluarte da música brasileira, Heitor Mendonça, acompanhado de James Bertisch no teclado, Maestro Muskito no baixo, e Odílio Saminêz na bateria, convida na próxima sexta, 27 de outubro, as parceiras e os parceiros Amanda Cunha, Barbara Sandes, Bruna Ribeiro, Soayan, Alex Santanna, Thiago Ruas, InspiraSons(Paulinho Araújo e J. Victor Fernandes) e Kleber Melo para celebrarem a vida de Belchior com releituras originais da obra do compositor cearense. O Show será a gravação de um DVD em homenagem ao artista. Acontece na próxima sexta-feira, dia 27 de outubro, às 22h, no Che Music Bar. Ingressos à venda na Litoral 655 (Shopping Jardins).

SUJO É O SEU RACISMO

Sim Negra

Morena”, “parda”, “mulata”, “caucasiana escura”... sempre se utilizam de eufemismos, como se a cor negra fosse um problema, um defeito. Chega de eufemismos, chega de ignorar o óbvio: somos negros. Mestiços ou não, de pele mais clara ou não, carregamos em nossos traços, narizes, cabelos e corpos a benção da negritude.
Carregamos luta, carregamos força. Nada de diminuições, é negra. 
Prazer, Thiarlley Valadares. Sim, negra!

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Recentemente me deparei com uma propaganda da Dove Britânica para um sabonete líquido, onde uma mulher negra trajando uma blusa marrom, ao tirar a roupa, transformava-se em uma mulher branca de blusa clara. Ao lado, o produto da marca citado acima é mostrado, indicando assim sua eficácia em clarear a pele e possíveis manchas escuras que surjam.

Nem mesmo me posicionei a respeito, e já imagino o pensamento de alguns “Como isso pode ser racista? É só levar na brincadeira”. Não, meus queridos, não é assim tão simples. Pode ser que as frases a seguir tornem-se repetitivas, mas quanto mais o tempo passa, menos fica claro para a maioria o quanto o racismo existe no dia-a-dia, o quanto pequenas atitudes e palavras ferem. O quanto você é racista.

O racismo, assim como qualquer outro tipo de preconceito, é ensinado, sobre isso não há dúvidas. A partir do momento que temos consciência disso, é preciso estar preparado para desaprendê-lo e, mesmo que gradativamente, evitá-lo. “O mundo politicamente correto está ficando chato”, você diz. Não! O mundo está ficando um espaço para todos aqueles que não são o padrão. O mundo parecia divertido para você, uma vez que todos nós nos calamos e sofremos suas brincadeiras racistas e preconceituosas calados. Mas, a partir do momento que ganhamos voz e vez, a partir do momento que estamos nas universidades, conquistando títulos, atingimos cargos de chefia, o mundo passou a ficar chato para você, que não mais tem o domínio daquilo que sempre nos foi negado.

Então, quando uma propaganda na mídia, seja ela qual for, incita a ideia de que nós negros somos sujos e nojentos, enquanto vocês brancos são limpos e objetivo a ser alcançado é, sim, racismo. É uma verdadeira aula de como se tornar um ser desprezível que separa as pessoas pela cor, pela aparência, pela posição – social e profissional –, alguém que olha para o próprio umbigo e pensa ser o centro das atenções.

Logo, caso ainda não tenha ficado claro, a propaganda é racista e qualquer tipo de brincadeira que se assemelhe a ela, é racista da mesma maneira. Nossa pele, carregada de luta dos nossos antepassados, não é suja. Sujo é este teu racismo, impregnado no pensamento raso e na mente fechada, no seu convívio heterogêneo que acredita em um único padrão. Somos de todas as cores, de todas as formas.

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Abre a boca, mana! Quem disse que as manas não podem falar sobre tudo? Pois é, aqui a gente vai conversar sobre as políticas envolvendo a comunidade LGBTQ, a criminalização da transfobia, lesbofobia e homofobia, o mercado de trabalho, as incríveis histórias de vida, denúncias e a importância da representatividade. A coluna é um espaço para novas frentes de pensamentos sobre o universo LGBTQ em Sergipe.

Prazer, Jonatan Santana!

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Não é novidade para ninguém que a letra B da sigla LGBTQ diz respeito às pessoas bissexuais. Mas, o que ainda é complicado de se entender é quem essas pessoas são e o porquê de não se enquadrarem nos demais itens da abreviação. Para muitos, as pessoas bis inventaram a orientação e tratam o assunto como conveniência, como algo momentâneo. E, não raramente, associam o fato a estigmas ultrapassados e preconceituosos. Eu, por exemplo, já ouvi que esse grupo é formado por “viados encubados” ou “sapatões indecisas”. E não, cara. Não são. A bissexualidade existe, sim, e está presente em toda a sociedade - assim como os demais grupos. Forçá-los à invisibilidade é uma das piores torturas.

Para muitos estudiosos de orientação sexual e identidade de gênero, das pessoas LGTBQs, os bissexuais são uma das que mais sofrem preconceito, porque ele vem tanto da sociedade quanto da própria comunidade que os integra. E isso não é uma opinião vazia, sem fundamento. Um estudo levantado pelo American Institute of Bisexuality (AIB) revela que pessoas que se identificam como heterossexuais têm mais atitudes negativas sobre bissexuais -- sobretudo com os homens bissexuais -- do que têm quanto a gays e lésbicas. Em outras palavras: héteros têm mais preconceitos contra bis.

A mesma pesquisa diz que, mesmo dentro da comunidade LGBTQ, os bissexuais são ignorados, incompreendidos e, não poucas vezes, alvos de chacota e escárnio. O estudo conta, ainda, que as piores minimizações e discriminações vêm de dentro da comunidade gay, “alimentada pelos estereótipos de que pessoas bissexuais estão mentindo para si mesmas e para os outros, estão confusas e não merecem confiança”.

E não é só isso. Nós excluímos e invisibilizamos esses nossos parceiros quando insistimos em manter uma linguagem pobre, ultrapassada e opressora.  E esses comportamentos cotidianos, são expostos num estudo da Organização Não-Governamental, Bisexual Resource Center, de Boston, que enumera alguns pontos prejudiciais à inclusão das pessoas bis na luta LGBTQ. “Chamar bissexuais de ‘aliados’, excluindo-os de uma comunidade que deveria integrá-los; o uso de linguagem não-inclusiva, como casamento gay ou casal gay e casal lésbico, mesmo quando um bissexual compõe o casal; rotular erroneamente como gays, lésbicas ou heterossexuais pessoas que se declararam bis ou determinar a sexualidade da pessoa considerando apenas o sexo do seu companheiro ou companheira”.

Ainda de acordo com a AIB, muitos bissexuais não saem do armário por estarem em relacionamentos com alguém do gênero oposto e que ainda não é aberto à sua orientação.  Outra pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2013 relata que “apenas 28% das pessoas que se identificavam como bissexuais falaram que eram abertas quanto à sua sexualidade”. O número é tão alarmante que a Comissão de Direitos Humanos de São Francisco, Califórnia, chamou os bissexuais de “uma maioria invisível que precisa de recursos e apoio”.

Essa invisibilidade, meu povo, acarreta problemas ainda maiores, inclusive ligados à saúde dessas pessoas. Então, gente, vamos entender - de uma vez por todas - que a marginalização e discriminação que a comunidade bissexual sofre na sociedade reflete também na saúde dos seus membros. O apagamento bissexual leva muitas pessoas a evitarem exames ou a mentir sobre o histórico sexual. E, de novo, repito: isso não é papo sem fundamento. As pessoas bissexuais - assim como as transexuais e travestis --, quando comparadas a heterossexuais, lésbicas e gays, têm maiores taxas de ansiedade, depressão e outros distúrbios de comportamento, assim como é maior a incidência do uso de tabaco. Além de, ainda segundo estudo da AIB, estarem mais propensas a doenças cardíacas e cânceres. 

Tudo isso sabe por quê? Porque você insiste em excluir uma amiga ou amigo bi. Por, em sua mente fechada, acreditar que essa pessoa ainda está em dúvida sobre sua sexualidade e, um dia, se definirá como gay, lésbica ou hétero. E não, amiguinho, esse dia não vai chegar. Respeite e acolha a pessoa bi da forma que ela é. Assim como, com você, ela fez.

VIDA E/É MORTE

Transtorno Poetico

Poeta, escritor, compositor sergipano e parceiro musical de muitos; idealizador do projeto literário multimídia Transtorno Poético; integrante do duo InspiraSons - um misto de música e poesia que vem percorrendo saraus pelo Brasil afora; duas vezes finalista do Festival Sescanção; premiado no Festival de Música da TV Atalaia enquanto compositor; criador e um dos produtores culturais do evento Pôr do Sol, Som & Poesia. Pelos meus caminhos, busco reunir trabalhos autorais em diversos segmentos artísticos e trazer a poesia para o cotidiano, para bares, casas de show e festivais.
Prazer, J. Victor Fernandes!
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Todo dia é em si uma despedida

Sempre haverá um recado esquecido de dar e um livro para devolver

Sempre haverá algo de nós esquecido no outro e um livro inteiro de lembranças

Uma eternidade miúda nos detalhes dos mortais

Haverá um nascimento na partida

Dos pedaços que revelam a partilha e o fruto

Todo abraço guarda, firme e apertado, um adeus despercebido

E todo adeus guarda a âncora de um navio naufragado em nós, dos nós que nos atam

Há de chegar o inadiável na agenda do acaso, esse não se atrasa

Nós, brisas falantes, sopros poéticos

Uma caixa de metal cheia de retratos, fotos 3x4, cartinhas amareladas, cartões postais, uma figurinha de dinossauro, um carrinho de metal, um pingente de prata, chaveiros e chaves já sem fechadura e um dólar de uma história da infância

Nós que nada possuímos além das marcas que deixamos

Até que essas marcas sejam apenas uma impressão no todo

Que sobrevive e já não sabe de si como você achava saber, já é outro e já são outras as certezas/surpresas

Toda vida é um gole na saideira

Um adeus disfarçado num olhar

Cada conversa é a última no virar da ampulheta

Esse jogo de tabuleiro, de jogadas, cartas marcadas e escritas

Terminamos na casa: volte para o início

E não era sobre a pressa, e sim sobre a presença e o pertencer 

O dia chega e não é da caça, nem do caçador, não é dia de ninguém, a eternidade está se lixando e o tempo é menino de recados para bom entendedor

O Universo só enxerga o balanço da harmonia

E nessa cadência - caos e calma - somos todos bichos, plantas, somos todos um corpo vivo que sobrevive à cada Eu que se reparte

Somos segundos na vida das estrelas

Somos uma golfada de ar pretensiosa, um lampejo na mente da galáxia

E tanto faz, mas faz toda a diferença, tanto fazemos e é tão pouco, nada fazemos à tempo de perceber o que sempre foi e será

As formalidades a morte em regra dispensa, é visita que vem para levar

A gente vai indo aos poucos

Dentro de uma célula tronco, do tronco familiar, dentro do mistério mais antigo A gente se despede nos traços similares da face de um neto

Vivemos em estado de desfazimento - ecos na caverna, egos na caverna

Saindo muitas vezes à francesa

Sem querer incomodar ou dar trabalho

Deixando trocados para o pão, trocados os destinos ou não

Deixando uma luz acesa

Para o último que sair apagar.

J. Victor Fernandes.


PRÓXIMAS PARTICIPAÇÕES E DICAS CULTURAIS

Novos baianos 2

ESPECIAL NOVOS BAIANOS

Chega à Reciclaria o Especial Novos Baianos, uma viagem musical pela obra de um dos maiores grupos artísticos brasileiros.

Sucesso de público e crítica, mas, antes de tudo, um encontro entre parceiros na arte e amigos na vida, os músicos Paulinho Araújo, Bruna Ribeiro, Israel Filho, Danyel Nanume, João Mário e o poeta J. Victor Fernandes em uma noite única. Apresentarão versões e releituras de canções/hinos, trilhas marcantes da história da música popular brasileira, que os inspiram enquanto artistas e integrantes das novas gerações de compositores. Uma homenagem e a expressão de um sentimento musical de gratidão aos Novos Baianos!

20 de OUT | 2030H

* Ingresso: R$20

Sobre Nós

O Soma Notícias é um projeto voltado para garantir que a notícia chegue até o leitor de forma qualificada, com a confiabilidade necessária, numa forma de reportar à toda sociedade assuntos que são de interesse público. Como vivemos um momento diferenciado na comunicação, em que a importância de quem consome a notícia é mais valorizada do que nunca, o Soma Notícias vem para se somar ao objetivo de termos uma sociedade cada vez mais justa, plural e ciente de que os direitos e os deveres dos cidadãos se aplicam a todos, sem exceção. E isso só é possível se tivermos acesso a uma gama de informações confiáveis, que não abram espaço para a dúvida quanto a sua procedência. Essa é a missão do Soma Notícias. E é para executá-la que aqui estamos!

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