Especial

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
Por Diogo Souza, o Cara do Espelho.

http://www.facebook.com/diogocaradoespelho | http://www.instagram.com/caradoespelho

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Ao longo dos anos, venho conhecendo diversas pessoas por meio do blog, pessoas que lêem, se identificam com algum trecho, que concordam ou não, etc. Pessoas diferentes, distantes fisicamente e até mesmo socialmente, mas a maioria aparecia com algo em comum: a dor da perda. O “deixar ir” era o maior desafio naquele momento.

Temos uma tendência a idealizar a vida, a esperar demais e nos apegar demais às pessoas, locais ou momentos. No entanto, tudo é passageiro. Há coisas que duram muito tempo, outras nem tanto. Aprendemos a conquistar e a vencer, mas nem sempre estamos prontos para derrota.

Lembro que alguns daqueles leitores reclamavam de quase tudo o que viveram e viviam ao lado de seus parceiros, a maioria eram relacionamentos falidos, desgastados por brigas, orgulho e ciúmes, alguns até mesmo por abuso. Faziam questão de mostrar porque eram infelizes. No entanto, mesmo com tantos motivos, ainda era muito difícil reconhecer que o ponto final talvez fosse a melhor solução.

Um leitor uma vez comentou sobre um texto meu e disse que sentia que era hora de dar um basta na relação que vivia na época. Dizia-se cansado de sofrer e de viver tantas instabilidades pelas incertezas da outra pessoa. Ele já sabia que não valia a pena sofrer nem se desgastar tentando fazer a relação voltar a ser como era no início. Esse leitor se tornou um grande amigo e o vi escrever seu ponto final discreta, calma e decididamente. Ainda assim, não foi um processo fácil, como pude acompanhar.

Muitas vezes, os parágrafos finais de uma história já foram escritos, mas falta coragem para colocar o último ponto. Decidir talvez seja a parte mais difícil, pois o que vem depois é libertador. Deixar a pessoa ir é uma grande prova de amor ao outro e a si mesmo, afinal sofrer não vai fazer bem a nenhum dos dois.

Dalai Lama escreveu sobre quando estamos envolvidos demais com qualquer sentimento, seja amor ou ódio, e que temos que olhar para dentro e questionar: “o que é afeto? E o que é apego? Qual a natureza da raiva?”. As respostas estão dentro de nós e nos cabe entender até onde vai o afeto e começa o apego.

Do que você precisa desapegar?

Desapegar no sentido de saber que estamos todos de passagem e que ninguém pertence a ninguém. Saber que as coisas nem sempre saem como queremos. Perdoar os erros do outro. Reconhecer os próprios erros. Perdoar a si mesmo. Deixar ir. Tudo é decisão.

Esse texto é mais um lembrete a mim e aos meus leitores de mais tempo de que crescemos com tudo que passamos. E constatamos que, como dizem, soltar a corda dói menos que tentar continuar segurando.

     - Diogo Souza, 03 de outubro de 2017

DESABAFO DE GENI

Transtorno Poetico

Poeta, escritor, compositor sergipano e parceiro musical de muitos; idealizador do projeto literário multimídia Transtorno Poético; integrante do duo InspiraSons - um misto de música e poesia que vem percorrendo saraus pelo Brasil afora; duas vezes finalista do Festival Sescanção; premiado no Festival de Música da TV Atalaia enquanto compositor; criador e um dos produtores culturais do evento Pôr do Sol, Som & Poesia. Pelos meus caminhos, busco reunir trabalhos autorais em diversos segmentos artísticos e trazer a poesia para o cotidiano, para bares, casas de show e festivais.
Prazer, J. Victor Fernandes!
www.transtornopoetico.tumblr.com | www.facebook.com/transtornopoeticoo | Instagram: @transtorno_poetico, @inspirasons | 

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Sim, desde pequena

a cena que imaginam

não me define

tentem entender...

Ao relento

meu corpo nasceu

meu corpo conheceu

o mundo, o fundo

do olho da rua.

minhas regras

minhas chances

minhas escolhas

minha pele nua

nada me faz perder.

Alpinista do fundo do poço

rainha de mim

nesse mundo meu amigo

somos todos lazarentos

feitos de tripas, carne e osso

Maria vai com quem quiser

Jean Varjan, Dos santos, da Silva

de ninguém ou da família real

sobrenomes, sobretudo miseráveis

no Brasil do surreal

do malandro periculoso no congresso nacional.

Na rua da frente, na beira dos mares

no cais do porto, em Budapeste, Aracaju, ou em Macondo

prisioneiros e carcereiros

uns dos outros,

estes olhos que me julgam

que me miram: Sociedade                !

Saciedade... Viver é meu prazer

não escondo

e tudo é sobre viver, sobreviver.

Coleciono amavéis loucos

muitos se trataram

ao se lambuzarem em meu batom carmim

amiúde, bem aos poucos

fui me fazendo assim:

O que pensam

não me impede de ser

dessas pedras que me jogam

fiz caminho

dessa saliva

vi depois o espanto das bocas secas

das vidas secas.

Qual o quê, o que fazem das vossas vidas

com o tempo que pretendem tomar da minha?

Não se enganem

eu também faço amor

e sei quando o faço

se com os bichos

ou um gozo em cochicho atrás da igreja

essa de milenares pecados...

Sim, fiz por amor

o comandante do Zepplin chamava por uma

mulher quando dormia

não sei se sua mãe, ou sua tia

eis que se dobrava num murmurar sem fim

aquele homem frio e feito de aço

e vocês também o são assim!

Em coro bem me dizem, mal me dizem

bem me querem, mal me querem

arrancando os meus pedaços

vejam essa paz em meus traços.

Pelos Anjos: A mão que afaga é a mesma que apedreja!

Veja, você aí que jogou merda

durante o tempo das suas regras, por muitos anos

seu marido vinha ao meu leito

e eu que nunca quis um lar desfeito o ninava até dormir.

Tantos fizeram meu colo de divã

e meu ouvido de confessionário

inclusive A Bailarina, pobre menina

pelo tanto que queria abandonar a “perfeição”

Homens, mulheres, jovens e sexagenários.

Vã seria eu contar tantos segredos de estado

ninguém chorou através de mim o leite derramado

pensando bem: Poderiam me chamar de Pandora

eis que nunca me abri

não sou flor, sou borboleta.

A senhora baixe o dedo, à quem interessa julgar

primeiro

é menos puta quem casa por dinheiro?

Sou feita do pó das estrelas e das cinzas

das fogueiras que queimaram minhas avós

aquelas que chamavam de bruxas

quando pensar diferente se chamava heresia.

Sou filha da terra, como uma semente de sonhos

deixada por um dos Passarinhos de Manoel de Barros

só que me fizeram germinar árvore estranha

criada num mar medonho de hipocrisia

testada do útero às entranhas.

Engulam seus escarros

economizem seus engodos e olhem para cima...

Esse céu que nos guarda é uma cúpula de vidro

e é de nós todos, bem como a lua que nos encanta

e o sol que nos ilumina

Olhem para cima!

Estamos todos por um triz

e viveremos mais um dia, mais um amanhecer.

Meretriz, o dizes, santa, pecadora, sonhadora, Madalena,

faço cena, o dizes, do social abdico ser atriz 

não quero mais do que apenas ser, eu, apenas ser

e quem sabe isso seja... Simplesmente SER FELIZ.

- J. Victor Fernandes.

* Texto feito sob encomenda para o Nanã Trio, apresentado no show “À Flor da Pele”, que homenageou o feminino na obra de Chico Buarque, na noite da última sexta, 10 de novembro.


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Abre a boca, mana! Quem disse que as manas não podem falar sobre tudo? Pois é, aqui a gente vai conversar sobre as políticas envolvendo a comunidade LGBTQ, a criminalização da transfobia, lesbofobia e homofobia, o mercado de trabalho, as incríveis histórias de vida, denúncias e a importância da representatividade. A coluna é um espaço para novas frentes de pensamentos sobre o universo LGBTQ em Sergipe.

Prazer, Jonatan Santana!

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“Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis”. Essa frase, presente em um dos trechos da Declaração dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), é uma garantia básica de qualquer pessoa. Independente de classe social, religião, orientação sexual ou etnia. Uma declaração tão bonita que não deveria estar só no papel, né? Mas está. Porque a realidade é outra. É dura. É cruel. Sobretudo se você for LGBTQ.


Em 2015, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que o Brasil tem pouco mais de 100 mil pessoas vivendo nas ruas. O Texto apontava que “os grandes municípios abrigavam, naquele ano, a maior parte dessa população. Das 101.854 pessoas em situação de rua, 40,1% estavam em municípios com mais de 900 mil habitantes e 77,02% habitavam municípios com mais de 100 mil pessoas. Já nos municípios menores, com até 10 mil habitantes, a porcentagem era bem menor: apenas 6,63%”. 


Deste número, cerca de 31 mil são LGBTQ. Isso mesmo. Trinta e uma mil pessoas LGBTQs na rua. Isso é maior que a população de boa parte dos municípios sergipanos. E todas elas estão lá por vários motivos. Principalmente pelo preconceito. E, por conta disso, não têm emprego. Nem expectativa de vida.  Tampouco um lar.


Mas por que isso acontece? Porque a família não aceita o indivíduo como ele é. Então, qual a melhor alternativa? Expulsar de casa. Uma atitude prática para eles, mas que resulta em feridas profundas. Doídas. E, sem exageros, incuráveis.


E, pensando exatamente em dar uma nova oportunidade a essas pessoas que foram abandonadas por familiares, que um projeto foi criado para acolher LGBTQs que não têm uma moradia em Aracaju. O local, batizado de CasAmor, foi inspirado na Casa 1, em São Paulo, e na Casa Nem, no Rio de Janeiro, que desenvolvem trabalhos de acolhimento e oportuniza um novo recomeço a essas pessoas. A princípio, a CasAmor será um local de passagem, onde será oferecido a dormida e alimentação, mas, a tendência é se expandir.


Segundo material divulgado pelos organizadores, muitas pessoas já somam a causa em busca de dar apoio ao projeto, levantar os cômodos e poder oferecer a população LGBT, em situação de vulnerabilidade social, dignidade e perspectiva de que o mundo é feito para todos.

Mas é preciso da ajuda de todos para tudo dar certo. Por isso, no próximo dia 11, será realizado um bazar beneficente na sede da CasAmor, localizada na rua I, N° 214, Bairro Inácio Barbosa, Zona Sul de Aracaju. Para participar do evento, basta colaborar com R$ 10,00 e, assim, poderá contribuir com o projeto que, além de tudo, é de extrema importância social.

Essas e outras informações sobre as doações, você pode encontrar nas redes sociais da CasAmor no Facebook e no Instagram. Todo material é bem-vindo, mas sua presença será mais que especial. Venha e nos ajude a construir o Projeto CasAmor.

Sim Negra

Morena”, “parda”, “mulata”, “caucasiana escura”... sempre se utilizam de eufemismos, como se a cor negra fosse um problema, um defeito. Chega de eufemismos, chega de ignorar o óbvio: somos negros. Mestiços ou não, de pele mais clara ou não, carregamos em nossos traços, narizes, cabelos e corpos a benção da negritude.
Carregamos luta, carregamos força. Nada de diminuições, é negra. 
Prazer, Thiarlley Valadares. Sim, negra!

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"Você tá bem? Tá em casa? Acompanhada? Tá segura?" Foram essas as mensagens que recebi no último feriado, após um amigo ter tido um pesadelo que me envolvia. No sonho, tão real que o cheiro de sangue ainda o atormentava, eu era abusada e morta. Em um dos áudios que me enviou, era possível notar em sua voz o desespero que ainda o envolvia, o medo que ainda o atormentava, mesmo que tudo não tenha passado de um sonho ruim.

Este sonho, porém, é real. Não para mim, mas para as 4.757 mulheres que foram mortas por agressão em 2014, só aqui no Brasil. Este sonho é real quando, a cada 11 minutos, uma mulher é violentada no nosso país. Dados tão alarmantes, passam despercebidos, diante dos ainda maiores números de violência letal entre homens. Sem contar, é claro, a resistência em reconhecer o tema como um problema de política pública e não unicamente da mulher envolvida na violência.

O assunto parece repetitivo. Mas permanecemos nesse loop de conversa sobre estupro, assédio, violência contra a mulher e feminicídio, pois os dados acima citados tendem a aumentar de maneira desenfreada. O medo continua crescendo em nós, mulheres, desde a primeira menstruação, desde o crescimento dos seios, desde o primeiro olhar de malícia de um homem adulto direcionado para nós.

Enquanto nós, mulheres, continuarmos vivendo no medo dia após dia, olhando os lados com uma frequência maior que o normal, entrando em estabelecimentos para despistar possíveis seguidores, enquanto nós, mulheres, continuarmos a morrer pelo simples fato de sermos quem somos, de nos orgulharmos de quem somos e de negarmos quem não queremos conosco, o assunto vai existir.

Você queira ou não.

Porque o medo, ah, o medo é real. O medo nos assola e assola quem nós amamos. E não há alívio maior do que receber (e responder) uma mensagem com:

"Ei, estou bem. Já estou em casa".

"Ei, eu estou bem. Foi só um sonho ruim".

O FIM DA RUA

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
Por Diogo Souza, o Cara do Espelho.

http://www.facebook.com/diogocaradoespelho | http://www.instagram.com/caradoespelho

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Quando desci as escadas de sua casa e voltei pra rua senti um misto de alegria e desolação.De repente, as correntes não existiam mais e,por outro lado, era hora de seguir em frente e, talvez o mais complicado, encontrar uma nova direção. Parado, olhei para o fim da longa rua, estava claro que o horizonte estava lá, eu que nunca o levei a sério a ponto de segui-lo, estava tão cômodo em ter esta rua como ponto de encontro e refúgio que acabei esquecendo que a vida nos dá infinitas oportunidades de trilhas.

Uma leve chuva começou a cair e o vento frio tocou meu rosto sem muita delicadeza. Sei que a saudade faz estragos e que ela vai me torturar em dias melancólicos, mas quando tudo se acaba só há uma solução: começar de novo. Atrás de mim deixo a desilusão e a mágoa, que fique tudo para trás e que a dor diminua e um dia eu ainda possa pensar nisso como um lembrança especial, como tantas outras que tenho comigo.

Um homem apressado esbarrou em mim, saí do meio da calçada e continuei com o olhar direcionado ao fim da rua, mas com o foco mais perto, percebendo os chuviscos que caíam de forma dançante bem à frente da ponta do meu nariz.

Sei que você está aí atrás, olhando pela cortina e se perguntando o que ainda faço parado em frente àsua casa. Acho que estou deixando aqui o que precisa ser deixado, estou descarregando as emoções desnecessárias e tentando dizer ao meu coração que isso acabou faz tempo e que é hora de seguir em frente.

Parecia distante, mas era perto, uma senhorinha falava comigo bem baixinho:

“Está com algum problema, moço?”

Depois de algum esforço voltei a realidade e olhei a doce velhinha que segurava o guarda-chuva sobre minha cabeça me protegendo da chuva.

“O quê?” perguntei ainda atordoado.

“Você está se sentindo bem, rapaz? Está há um tempão aí parado na chuva.”

“Ah sim... Sim, estou me sentindo bem. Estou me sentindo muito bem. Obrigado.”

“Que bom, mas não fique tão pensativo assim na rua, é perigoso.”

Eu ri para ela e me ofereci para levar suas sacolas, ela negou, mas aceitou que eu levasse seu guarda-chuva, pois me disse que manter o braço erguido doía. A casa dela era do outro lado, justamente no começo da rua. No caminho ela me contou sobre como gostava daquelelugar e a saudade que tinha dos netos. Ao chegarmos em seu portão, nos despedimos e finalmente fui embora dali, estranhamente feliz e aliviado.

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Abre a boca, mana! Quem disse que as manas não podem falar sobre tudo? Pois é, aqui a gente vai conversar sobre as políticas envolvendo a comunidade LGBTQ, a criminalização da transfobia, lesbofobia e homofobia, o mercado de trabalho, as incríveis histórias de vida, denúncias e a importância da representatividade. A coluna é um espaço para novas frentes de pensamentos sobre o universo LGBTQ em Sergipe.

Prazer, Jonatan Santana!

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“Eu adoro os gays! Eles são tão divertidos”. Essa, provavelmente, é uma das frases mais ouvidas por nós, LGBTQs. Porém, o que muitos não percebem, é a limitação que essas palavras carregam. Porque, meus amigos, lamentavelmente, quando você diz isso – ainda que de forma natural, sem intenção alguma de minimizar – acaba nos condicionando ao papel de seres engraçados. Da companhia cômica. E não. Definitivamente não somos objetos de riso.

Levar a vida de maneira leve e fazer piadas com tudo e todos, não é uma característica exclusivamente nossa. Toda e qualquer pessoa, que tem o perfil mais extrovertido, é assim. Portanto, não somos atrações. E nem todo LGBTQ é alto astral. Somos plurais. Assim como os demais seres humanos. Não nos limitem.

É preciso entender que, em muitos os casos, nosso riso estampado e jeito extravagante, debochado, são como refúgios. Maneiras de enfrentar as dores e perseguições que ainda passamos. Então, para não demonstrar fragilidade – presente em todo mundo – brincamos. “Zombamos na cara do perigo”, como muitos falam.

Então, parem de nos usar para sua diversão. Nós não somos brinquedos, muito menos bobos da corte ou chaveirinho de madame.  Parem, também, de nos procurar quando estão na fossa. Usando-nos como objetos para melhorar sua baixa autoestima.

P A R E M!

Temos uma vida difícil. Lutamos, diariamente, por um espaço ao sol. Enfrentamos gigantes todos os dias. Em casa, no mercado de trabalho, no grupo de amigos. Em qualquer ambiente ou circunstância. Somos obrigados a dar a volta por cima 24 horas por dia. Sete dias por semana. Trinta dias por mês. Sofremos. Choramos à exaustão. Mas, ainda assim, sorrimos. Porque essa é uma das nossas principais armas.

E, se a vida nos obriga a seguir de cabeça erguida, de forma despretensiosa, continuaremos fazendo isso com uma boa gargalhada. Encarando de frente toda e qualquer situação. Porque, antes de sermos engraçados, somos seres humanos fortes que, ao longo da caminhada, combatemos as feridas internas com a velha e conhecida “fechação”. Até porquê, meus caros, isso não é close: é condição.

DEIXE NOSSOS CACHOS EM PAZ

Sim Negra

Morena”, “parda”, “mulata”, “caucasiana escura”... sempre se utilizam de eufemismos, como se a cor negra fosse um problema, um defeito. Chega de eufemismos, chega de ignorar o óbvio: somos negros. Mestiços ou não, de pele mais clara ou não, carregamos em nossos traços, narizes, cabelos e corpos a benção da negritude.
Carregamos luta, carregamos força. Nada de diminuições, é negra. 
Prazer, Thiarlley Valadares. Sim, negra!

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Como consumidora e blogueira do ramo de beleza cacheada, faço parte de diversos grupos no facebook de troca de experiência com produtos e procedimentos para manter o cabelo cacheado e crespo sempre agradável para nós. No início da semana recebi o link de uma matéria, onde uma criança de cabelos crespos teve o cabelo RASPADO na escola, sem permissão dos responsáveis, e a justificativa dada foi “por questões de higiene”. Este fato me lembrou diversos posts de mulheres nos grupos citados acima, onde iam até o salão de beleza solicitar hidratações e diminuição de volume e saíam destes com os cabelos ALISADOS pelas cabeleireiras.

A pergunta que martela na minha cabeça é: por que nossos cachos incomodam tanto? Por que há em vocês esse complexo de autoridade sobre nós, sobre nossos cachos e nossas vidas, a ponto de cortá-los ou alisá-los sem a nossa permissão? É fato que a procura por alisamentos e processos químicos caiu após o boom da aceitação dos cabelos naturais, mas não é como se faltasse demanda no mercado. Mulheres permanecem optando por química nos cabelos, até mesmo aquelas com cabelos já lisos ou levemente ondulados.

Quando questionada sobre as atitudes a ser tomada num caso desses, eu respondi que cabia um processo, alguns riram de mim, alegando que eram “apenas cabelos” e que cortá-los ou alisá-los não era um problema. Bem, sim, não há problemas em fazer tais mudanças, todavia, devem ser feitas com o consentimento da pessoa maior interessada nesta mudança. Caso contrário, é abuso. SIM, ABUSO.

Não somos seus escravos, você não exerce mais poder sobre nós, negros, para ditar como devemos nos portar. E se acho que a atitude da escola que cortou os cabelos da aluna é racismo? Eu tenho plena certeza. Nós não somos sujos, nossos cabelos, cacheados ou crespos, não são sujos, nós não somos animais para que você venha com suas tesouras e máquinas nos podar.

Tenha o mínimo de bom-senso e coloque-se no lugar daqueles que tiveram o seu direito de ir e vir ao ter um processo químico imposto nos cabelos. Pois é, acredito que não seria do seu agrado.

Ah, e o silêncio? O silêncio ficou para trás, não iremos mais nos calar! Do velado ao escancarado, todo e qualquer tipo de racismo será exposto.

Não somos tuas negas, deixe os nossos cachos em paz.

INIMIGO CAPITAL

Transtorno Poetico

Poeta, escritor, compositor sergipano e parceiro musical de muitos; idealizador do projeto literário multimídia Transtorno Poético; integrante do duo InspiraSons - um misto de música e poesia que vem percorrendo saraus pelo Brasil afora; duas vezes finalista do Festival Sescanção; premiado no Festival de Música da TV Atalaia enquanto compositor; criador e um dos produtores culturais do evento Pôr do Sol, Som & Poesia. Pelos meus caminhos, busco reunir trabalhos autorais em diversos segmentos artísticos e trazer a poesia para o cotidiano, para bares, casas de show e festivais.
Prazer, J. Victor Fernandes!
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Nesse tabuleiro de xadrez

Do alto da colina se vê

Bispo, Cavalo, Torre

De peças tão conhecidas

Se vê também a mão que as move

É um corpo enorme de face embaçada e familiar

E haja barriga para tanto Rei

Toneladas de mentiras, camadas e mais camadas ocultas

Em metros quadrados de poder

Pequenina capital da qualidade devida

Caneta mata, cheque mate só Peão leva

Testa de ferro, espeto de pau

Matéria prima do lucro majorado

O peso da consciência adulterada

Carga que só pesa para quem a tem

Caminha a cidade sem plano diretor, mas no papel ela tem dono

Cheque nominal para o crescimento desenfreado

À margem do rio poluído, algo cheira mal além dos canais

As Rainhas se movem destemidas e certas da vida eterna

Da verdade marginal abafada, varrida para debaixo do tapete

Diante de planos específicos de poder

O jogo escancarado nas manchetes

E as regras mudam ao gosto do freguês

No final todas as peças vão para a mesma caixa, diz o ditado

O final parece longínquo, o povo feito de peça na caixa de metal do ônibus, na caixa do apartamento popular, do cubículo do trabalho

Enquanto os donos do jogo deixam um rastro enorme de lixo pelo caminho numa marcha de milhões

Entoam: Aos amigos tudo, aos inimigos a lei

O coração acelerado na caixa do peito

E se só o pobre passa a vida na caixa da prisão

Quem seria o inimigo, capital?

- J. Victor Fernandes.

PRÓXIMAS PARTICIPAÇÕES E DICAS CULTURAIS

Sarau Inspirasons

SARAU INSPIRASONS
O duo InspiraSons, formado pelo músico Paulinho Araújo e pelo poeta J. Victor Fernandes, convida o grande público para um evento especial de música, poesia e artes integradas no aconchegante Café da Gente. Assim, chegando à 4ª edição, com sucesso de público e crítica, o Sarau InspiraSons vem se tornando uma tradição, um encontro semestral festejado, uma celebração à arte e à arte do encontro, como versejou O Poetinha Vinicius de Moraes. Pensando em remorar os grandes saraus de outrora, teremos uma noite com artistas sergipanos virtuosos e convidados da Bahia, igualmente virtuosos, para promover um intercâmbio musical e a união, em um palco cheio de surpresas.

 

Fabio Lima e Amorosa

AMIGADOR | FABIO LIMA E AMOROSA
Eis uma convergência artítica inédita: Antônia Amorosa e Fábio Lima apresentando o show 'AMIGADOR', um intenso e inesquecível passeio músico-poético na intersecção do universo lúdico de dois dos maiores artistas da música sergipana. A genialidade e sensibilidade de Amorosa nos presenteando com poemas musicados de Hilda Hilst, belíssimas canções autorais de ambos, todo o talento de Fábio Lima e suas versões únicas, canções inesquecíveis que marcaram a carreira dos dois e muitas surpresas.

Teremos também Paulo Giron Em Kombinação. Toda semana um destino, assim chegam à Aracaju. Dando sequência ao projeto Paulo Giron em Kombinação, que leva a música em um formato itinerante a bordo de uma Kombi com seus parceiros Sassá (baixista), Diego Santana (violonista), Gabriel Santana e Jadson Baldoíno (percussionistas). Paulo Giron também é vocalista da banda Catala à Brasileira.

"Estamos nas ruas, nas casas, praças e agora, em mais uma vertente, chegamos em alguns espaços culturais mantendo o formato itinerante. Essa semana nos apresentamos aqui na Barra e semana que vem nosso destino é Aracaju", comenta Paulo.

O público poderá curtir um repertório que traz uma linguagem de rua e popular por essência, onde os artistas apresentam uma expressão especialmente baiana pela identidade rítmica nos arranjos das músicas autorais e nas releituras de referências como Carlinhos Brown, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ritmos como o Groove-Arrastado, famoso na Bahia como o “Pagodão”, são totalmente ressignificados sem perder seu potencial dançante e cativante.

Os anfitriões da noite - o InspiraSons - prometem emocionar o público interagindo com os convidados e intervindo entre os shows. Farão faixas inéditas e preparadas especialmente para o Sarau, bem como histórias já conhecidas do público que catam/recitam juntos na sincronicidade artística.

Couvert: R$20,00(vinte reais).

Sobre Nós

O Soma Notícias é um projeto voltado para garantir que a notícia chegue até o leitor de forma qualificada, com a confiabilidade necessária, numa forma de reportar à toda sociedade assuntos que são de interesse público. Como vivemos um momento diferenciado na comunicação, em que a importância de quem consome a notícia é mais valorizada do que nunca, o Soma Notícias vem para se somar ao objetivo de termos uma sociedade cada vez mais justa, plural e ciente de que os direitos e os deveres dos cidadãos se aplicam a todos, sem exceção. E isso só é possível se tivermos acesso a uma gama de informações confiáveis, que não abram espaço para a dúvida quanto a sua procedência. Essa é a missão do Soma Notícias. E é para executá-la que aqui estamos!

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