Sábado, 26 Agosto 2017 21:00

MISS BRASIL | Quando um negro vence, a casa grande enlouquece

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“Morena”, “parda”, “mulata”, “caucasiana escura”... sempre se utilizam de eufemismos, como se a cor negra fosse um problema, um defeito. Chega de eufemismos, chega de ignorar o óbvio: somos negros. Mestiços ou não, de pele mais clara ou não, carregamos em nossos traços, narizes, cabelos e corpos a benção da negritude.
Carregamos luta, carregamos força. Nada de diminuições, é negra.
Prazer, Thiarlley Valadares. Sim, negra!

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“Credooooo! A miss Piauí tem cara de empregadinha [...]”

O comentário acima, publicado no twitter pela usuária @julianacporto, não me espanta. Entristece, mas não espanta.

Afinal, não é a primeira vez que negras e negros em destaque ou em cargos altos incomodam os brancos. Em 63 anos de concurso, Monalysa é a terceira negra a carregar a coroa, tendo uma diferença de 31 anos entre a primeira, Deise Nunes, e a segunda, Raíssa Santana, que venceu no ano passado. São 60 anos de misses brancas, contra apenas três negras nomeadas. E, ainda assim, Monalysa representar a beleza brasileira incomoda.

Incomoda, e a cor da pele não é o único problema.

A miss Brasil, além de negra, é nordestina.

Do município de União, a 59 km de Teresina, capital piauiense, Monalysa Alcântara possui raízes humildes e demonstra firmeza ao acreditar na realização dos objetivos que deseja alcançar. Assim, decidida pelo que quer, Monalysa recebe mais ódio.

Quando o país passa a ser representado por alguém que, um dia, foi escória da sociedade, a casa grande vai à loucura. Quando mulheres que um dia foram proibidas de usar vestidos de seda, hoje representam a beleza diversificada e miscigenada que compõem este país, aqueles que um dia estabeleceram como o da mídia o único padrão de beleza a ser seguido, veem-se confusos, sem rumo.

E o pior disso tudo é que comentários como o citado no início deste texto são proferidos como opinião. Alegam que não são obrigados a concordar com a beleza de Monalysa, muito menos a acreditar que esta representa o nosso país. Aqui, um recado importantíssimo: respeito, meus amigos, não se discute. Quando as feições são denominadas “de empregadinha”, reforça-se o discurso racista de que o lugar de negro é em posição social inferior. Reforça, apenas, que você é mais um racista que se nega a acreditar nas próprias palavras.

E para um racista (velado ou não), nada pior que alguém como Monalysa: negra, nordestina, miss Brasil. 

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