Quarta, 24 Janeiro 2018 00:00

SERGIPANOS PELO MUNDO | “Precisei vir embora para ter crescimento profissional”, afirma Rafael Nascimento

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Nascidos no menor estado de um país de terceiro mundo, é comum para os sergipanos ouvirem, com certa frequência, que para alcançarem sucesso profissional e pessoal é preciso deixar sua terra e embarcar numa jornada desconhecida rumo a outras regiões e, até mesmo, outros países - afinal, há diversas áreas que ainda possuem poucas oportunidades de atuação por aqui. Foi assim com Rafael Nascimento, de 25 anos, natural de Aracaju e morador de Budapeste, capital da Hungria. A busca pelo crescimento e reconhecimento profissional é uma das razões que o levaram a deixar sua terra natal.

Sendo da área de Tecnologia de Informação, Rafael diz que sempre estudou e trabalhou sem um mentor. “As melhores pessoas da minha área estavam indo embora para São Paulo ou Rio, principalmente, ou para os Estados Unidos”, conta. Apaixonado pela cultura e pela história da Europa, ele sabia que os lugares mais clichês não eram uma opção. E, como já tinha feito alguns amigos em outras oportunidades de viagem pelo leste europeu, planejou tudo direitinho, fez as malas e foi. De vez.

Inicialmente, sua ida foi através de um programa de intercâmbio em estágios. E, após diversas empresas demonstrarem interesse pelo seu perfil de trabalho, a Possible, em Budapeste, foi a escolhida. “Eu optei por Budapeste por dois motivos: a empresa daqui me chamou muito a atenção pelos projetos e tecnologias que estavam sendo desenvolvidos e, apesar de nunca ter visitado a cidade, sempre ouvi coisas muito boas sobre sua beleza e custo- benefício”, explica.

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Mas se engana quem pensa que a adaptação é rápida. O clima europeu sempre nos foi mostrado como um inverno de estilo, propício para a elegância de cachecóis, casacos e sobretudos, com fumacinha quente saindo dos lábios durante a fala. Porém, para o sergipano fora de casa, toda essa elegância custa caro para o corpo acostumado com o calor. Rafael conta que no verão, a temperatura pode chegar a 39º C, enquanto no inverno cai para até -20º C. A Hungria também não é um país com costa, portanto, nenhuma pontinha de mar. E isso ainda é um choque e tanto para o aracajuano. “Sinto saudade de uma praia a 15 minutos de casa”, relata. Trabalhando como programador júnior, o plano inicial era ficar no país por apenas um ano, mas seu trabalho foi reconhecido e veio a proposta de permanecer por mais tempo. E ele não pensou duas vezes. “Tenho tido uma experiência muito positiva. Eu me considero uma pessoa muito racional e desapegada, consigo me adaptar a novas condições”, pontua.

Um sergipano em meio a um povo reservado

Budapeste passou a lidar com a crescente onda de estrangeiros na última década. Assim, um sentimento de apropriação tomou conta dos húngaros da cidade, principalmente levando em conta o fator histórico, já que a região perdeu diversas guerras e batalhas, além de ter parte do território tomado por vizinhos. Rafael explica que esse sentimento triste acaba sendo refletido no humor das pessoas. “Muitos deles são bastante reservados e têm a autoestima muito baixa. Mas, apesar disso, eles são muito orgulhosos do país” comenta. Esse jeito mais fechado da população, porém, não interferiu na receptividade, e o sergipano diz que foi bem recebido pelos colegas de trabalho assim que chegou.

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O Brasil na visão dos húngaros

Quando perguntado sobre a perspectiva húngara acerca do Brasil, Rafael conta que converge com a visão geral que o exterior tem: um povo exótico. “Eles têm uma ideia de que a gente é mesmo esse povo alegre, quente, que gosta de festa, de carnaval. O estereótipo do latin lover: essa foi uma expressão que eu conheci aqui. O latin lover é aquele cara ou aquela mulher que é bonita, quente, que vai arrasar os corações das pessoas. Essa é a ideia que eles têm do brasileiro; essa é a ideia que eles têm de mim”, explica aos risos.

O sergipano também afirma que sua mudança foi muito questionada pelos húngaros, já que a imagem do nosso país é positiva pelo lado de lá. Boa parte das questões envolviam, por exemplo, a natureza, o clima e o sucesso nas realizações da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. “Eles têm uma ideia muito boa do Brasil, muito positiva. Claro que eles sabem da corrupção e dessas coisas todas, mas isso acontece em todo lugar; não é uma coisa especial do Brasil”, comenta. Rafael também explica que o brasileiro acha que a corrupção e os escândalos políticos que temos também são  uma realidade no leste europeu.

Já sobre Sergipe, raramente encontrou alguém que tivesse ouvido falar. Rafael conta que é mais comum que conheçam o Rio de Janeiro, São Paulo ou, em alguns casos, Brasília. “Recordo-me apenas de duas vezes em que me disseram que já tinham ouvido falar em Sergipe, e isso porque a pessoa tinha conhecido alguém de Aracaju”, explica. “A imagem brasileira é bem generalizada, assim, pouco se conhece sobre nosso estado”, acrescenta.

Saudade de casa x Sensação de pertencimento

"Sergipe, para mim, é um lugar especial, amo demais essa terra, tenho um orgulho muito grande de ser sergipano", é o que responde Rafael, quando questionado sobre sua terra natal.

Ele afirma, com tom nostálgico, que sua maior saudade é a família, porém, sempre ansiou ir além, cruzar fronteiras, seguir outros passos - algo que, na maioria das vezes, não era uma preocupação das pessoas ao seu redor. "Sergipe é o meu lar. É o lugar onde eu nasci, cresci, me tornei homem e onde aprendi valores com a minha família", finaliza.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Arquivo Pessoal

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