Segunda, 22 Janeiro 2018 00:00

SERGIPANOS PELO MUNDO | “Vim cuidar de minha espiritualidade e fiquei, mas não passo um só dia sem lembrar de meu Sergipe”, revela Ana Paula Silva

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Sombra, mar, tranquilidade e água fresca. Essa combinação deve povoar o sonho de muitas pessoas, não é mesmo? E quer saber de uma coisa? Tem uma sergipana arretada que desfruta dessa vida há algum tempo. Onze anos para ser mais exato. O nome dela é Ana Paula Silva, tem 45 anos, e, desde 2006, vive numa pequena cidade chamada Santa Cruz, localizada na Ilha da Madeira, território de Portugal.

A pequena ilha, distante quase mil quilômetros de Lisboa, capital portuguesa, foi escolhida pela terapeuta para morar por uma razão simples: espiritualidade. “Vim para cá em busca de conhecimentos esotéricos. Precisava me encontrar como pessoa e, também, conhecer os lugares de minhas vidas passadas”, resume.

E, desde que chegou, é justamente isso que tem feito. “Aqui, eu ajudo as pessoas através das minhas terapias esotéricas. E, graças ao caminho que busquei, consegui desenvolver um método para ajudar e levantar as pessoas que estão com depressão e problemas correlacionados. Sou formada em Reiki e uso pedras orgonite, para curar as pessoas. E, também, faço alinhamento de chakras, que, às vezes, encontro desarmonizados”.

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O orgonite, citado por ela, é um tipo de pedra utilizada como catalisador e sua principal função é transformar energia negativa em positiva. Já os chakras, segundo a filosofia iogue, são centros energéticos dentro do corpo humano, que distribuem a energia (prana) através de canais (nadis) que nutrem órgãos e sistemas.

O local escolhido para morar tem, além da razão espiritual, uma outra explicação: o clima é bastante semelhante com o do nordeste brasileiro. Fator que, para a terapeuta, faz-se sentir um pouco em casa. “As pessoas aqui são muito parecidas com o nosso povo de Aracaju. São pessoas alegres, amigáveis. Escolhi a Ilha da Madeira para morar também por isso. É uma Ilha linda, e possui um clima quase tropical que traz muita paz e harmonia. Fiz muitas amizades por aqui, é bom de viver”, relata.

Nordestina, sim!

Casada com um madeirense, Ana Paula já possui a dupla nacionalidade, mas não esconde a saudade de sua terra. “Hoje sou casada, tenho uma filha portuguesa de 10 anos, a Vitória Lessa, que é uma menina linda e muito inteligente. É até interessante falar nisso, porque as pessoas daqui a tratam de um modo especial, por ser filha de brasileira. Mas também sou mãe de Mirella Freitas, minha menina mais velha. A artista da casa. Ela é atriz e cantora de ópera aí em Sergipe. Poucas pessoas sabem, mas eu sou filha do cantor Sergio Silva, o príncipe do Brega, que é pernambucano de nascimento, mas foi radicado em Aquidabã, interior sergipano. Minha mãe era cabeleira, mas já se aposentou e, aí em Aracaju, tenho três irmãos. Todos eles são minha saudade diária”, conta.

E é justamente quando fala em saudade que a terapeuta faz questão de relembrar suas origens. “Ave Maria!, o aperto no peito é grande. Sabe, para mim é ainda mais difícil quando o período junino chega. Quando é tempo de São João, mato a saudade vendo as publicações nas redes sociais. Inclusive, uso um perfil pessoal somente para publicar vídeos e fotos do nosso São João. É a festa mais linda do mundo. Eu sempre faço questão de falar de nossas tradições por aqui e todos ficam encantados ao ver as minhas publicações de vídeos sobre as festas de nossa cidade. Aracaju é a mais bonita do Brasil”, revela empolgada.

 

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O amor pelas tradições nordestinas não se limita a simples posts na internet. Ana Paula é do tipo que faz questão de contar para todo mundo como é a nossa cultura e quais as principais festividades que acontecem no estado. “Quando eu falo dos costumes de Aracaju e o modo como falamos, os Madeirenses ficam encantados. Os portugueses gostam muito das tradições do nosso Brasil, por isso eu amo divulgar tudo que nosso estado possui”.

“Falo tanto do forró nordestino aqui que alguns amigos foram conhecer e amaram”, acrescenta.

Colocando tudo na balança

Decidir morar em um país diferente tem lá seus contratempos. No entanto, Ana Paula diz que buscou em suas raízes a força necessária para conquistar cada degrau. “No começo, sofri um pouco e passei por algumas situações delicadas. Mas vocês sabem como é nordestino, né? A gente tem garra e conquista com a nossa honestidade, humildade e carinho qualquer coração do mundo. E é com a ajuda de Deus que eu tenho conseguido trilhar meu caminho por aqui. Hoje, através de meu trabalho, sou bastante conhecida aqui e sou muito bem tratada”.

Embora já esteja há mais de dez anos fora de sua terra natal e tenha se estabelecido legalmente em outro país, ela conta que algumas situações ainda são corriqueiras.

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“Existe algo que ainda é muito comum por aqui: muitas pessoas associam a mulher brasileira à prostituição, pois, infelizmente, muitas viajam a outros países, buscando melhorias de vida e caem em armadilhas como essa. Por isso é perigoso sair sem rumo. O melhor mesmo é contar com pessoas que conhecem há muito tempo e se preparar e ter mais informações, através de agências de turismo ou Polícia Federal. Pois, infelizmente, isso ainda existe. Mas, no meu caso, graças a Deus e Nossa Senhora de Aparecida, foi ao contrário. Vim mesmo a passeio, conheci o meu marido, casamos e fiquei por aqui”, explica.

“Os portugueses gostam do Brasil. Mas pensam que o nosso país se limita ao Rio de Janeiro e São Paulo, pois, por aqui, o noticiário exibe mais coisas de lá e só passam notícias de desgraças, violência e favelas, que é o lado negativo do Brasil. E, por causa disso, muitos pensam que o Brasil é um país ruim. Mas eu venho lutando para mostrar que nossa terra, apesar de todos esses problemas, tem lugares e culturas belas. E sempre uso Aracaju como por exemplo. Eu não tenho vergonha de onde eu vim e tenho mesmo e orgulho de ser aracajuana”.

Todavia, para ela, os pontos positivos ainda superam todo o estigma que ainda insiste em estereotipar o povo brasileiro. “Viver longe nos permite conhecer novas culturas e costumes. E aqui, por exemplo, o povo se parece demais com o nosso povo aracajuano: são calorosas e dão valor a sua gente e a cultura que possuem. São acolhedores e nos faz sentir-se em casa”, finaliza.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Arquivo Pessoal

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