Quinta, 18 Janeiro 2018 00:00

SERGIPANOS PELO MUNDO | “Sergipe é um pedaço de mim que levarei por onde eu for”, diz Whanda Nunes

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A sede de conhecimento sempre foi o que movimentou a vida de Whanda Santos Nunes, 31 anos. Graduada em Logística e com uma segunda graduação em andamento, a aracajuana vive na Bélgica há um ano e três meses, onde trabalha e se prepara para retomar os estudos.

Em Aracaju, viveu uma infância e adolescência humildes, seu pai era pedreiro e sua mãe empregada doméstica, mas, apesar das dificuldades não desistiu do sonho de ter um futuro melhor. A primeira grande virada em sua vida aconteceu quando tinha apenas 16 anos: o nascimento de seu filho.

Decidida a oferecer uma vida melhor para o filho, ela estudou e conseguiu um bom trabalho, mas sentia que aquilo não era o bastante. Foi pelas redes sociais que ela conheceu uma prima que morava na Bélgica, as duas estreitaram os laços familiares e surgiu o convite para Whanda e seu namorado passarem as férias no país europeu. “Eu e meu namorado fomos e ficamos deslumbrados como tudo funciona na Bélgica e, então, minha prima me deu a ideia de que poderíamos morar aqui”, relembra.

De volta ao Brasil, dedicou-se a estudar as possibilidades de se morar legalmente no país. “Na época, meu namorado estava concluindo o mestrado em engenharia química e eu queria que ele fizesse o doutorado na Bélgica, mas, por conta da burocracia brasileira, acabamos não conseguindo, então, decidimos vir ilegalmente. Existe um acordo entre Brasil e Bélgica que permite a pessoa ficar aqui por um período de até 90 dias sem a necessidade do visto, após este período se torna ilegal. Foi o que aconteceu conosco”, explica.

Isso acontece porque a Bélgica faz parte do Espaço Schengen, um tratado de livre circulação de pessoas, que dá o direito de circular em 26 países da União Europeia. Durante os três meses como “turista”, ela e o namorado ficaram hospedados na casa da prima, mas depois que o período acabou tiveram que buscar outro local para morar.

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Dificuldades

A aracajuana lembra que a falta de documentos oficiais foi uma das maiores dificuldades para conseguir emprego. Mas a ajuda veio de outro casal de brasileiros que moravam por lá há mais de 10 anos.  “Eles são sócios em uma empresa de serviços de limpeza em geral. Criamos uma relação que foi além de trabalho. Tivemos muita sorte em encontrá-los. Desde então, não saí mais da empresa, trabalho com eles há um ano na área de limpeza de escritórios, tapetes, vidros, dentre outros”, comenta.

“O padrão de vida aqui é bem diferente do Brasil, mesmo trabalhando com limpeza, que é um dos serviços menos remunerados, consigo ter uma vida bem melhor do que eu tinha no Brasil. Consigo dar ao meu filho coisas que eu sempre desejei”, relata. Ao falar do filho, Whanda se emociona, pois deixou o menino, hoje com 14 anos, em Sergipe com sua mãe e são eles os donos de suas maiores saudades.

Vivendo longe do forró

Whanda garante que outra coisa que sente muita falta é do forró. “Como uma boa sergipana, sou uma forrozeira nata e dançar um bom forró é outra coisa da qual eu sinto falta. A maioria dos brasileiros que aqui vivem, são da cidade de Goiás ou de Minas Gerais, logo, ouve-se muita música sertaneja por aqui, já o meu forró...”, brinca.

Já sobre o clima, ela diz ainda não ter se adaptado totalmente às baixas temperaturas. “Aqui chega a fazer -10º Celsius, o que para mim é coisa de outro mundo. No Brasil, eu não gostava nem de usar ar condicionado, imagina me acostumar com uma temperatura dessas”, comenta.


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Desconstruindo estigmas

“É muito difícil para os Belgas compreenderem o que leva um brasileiro viver aqui, para eles o Brasil é um paraíso (país quente e lindo). Quando tento explicar o porquê, focando na economia do país, eu observo o semblante espantoso neles; aqui a gente paga os impostos com prazer, pois, vemos funcionar. Infelizmente poucos conhecem o meu estado, faço tudo para divulgar, mas, até os brasileiros que aqui vivem conhecem muito pouco de Sergipe”, lamenta.

Ela explica que a visão que os europeus têm dos brasileiros não é das melhores. “Existem muitos (brasileiros) que dão ‘golpes’, inclusive em outros brasileiros. Já as mulheres, é aquela cultura que o Brasil expõe para o mundo: ‘Bunda’. Já ouvi coisas do tipo: ‘Brasil é uma festa’. ‘Brasileiros são calientes’. E já tentaram passar a mão em mim pelo fato de eu ser brasileira”, desabafa.

Há um ano e três meses na Bélgica, Whanda afirma que já está conseguindo resolver a situação no país para, em breve, dar continuidade aos seus projetos. “Pretendo seguir meu plano inicial que é estudar aqui, concluir minha graduação e tentar um mestrado”.

Sobre a possibilidade de voltar a Sergipe, Whanda diz que pretende fazê-lo somente após a conclusão dos estudos. “Até lá, com toda certeza irei a passeio, pois ficar longe da minha terra é difícil. Eu não conheço muitos estados do Brasil, mas Sergipe é um pedaço de mim que levarei por onde eu for”, conclui.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Arquivo Pessoal

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