Domingo, 10 Dezembro 2017 00:00

SÓ É RACISMO QUANDO O BRANCO DENUNCIA

Escrito por 

Sim Negra

Morena”, “parda”, “mulata”, “caucasiana escura”... sempre se utilizam de eufemismos, como se a cor negra fosse um problema, um defeito. Chega de eufemismos, chega de ignorar o óbvio: somos negros. Mestiços ou não, de pele mais clara ou não, carregamos em nossos traços, narizes, cabelos e corpos a benção da negritude.
Carregamos luta, carregamos força. Nada de diminuições, é negra. 
Prazer, Thiarlley Valadares. Sim, negra!

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Nos últimos dias se tem falado muito sobre o caso de racismo direcionado a Titi, filha adotiva de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. A pequena foi alvo de comentários maldosos de uma “socialite” através de um vídeo, chamando-a de macaca e diversos outros adjetivos que são irrelevantes para serem mencionados, o que causou comoção nacional e rendeu espaço no Fantástico.

Acontece que, semanas antes, em palestra num evento organizado pelo TEDX São Paulo, Taís Araújo fez uma comparação sobre a cor de seu filho e o racismo diário que nós negros vivemos. “A cor do meu filho faz as pessoas mudarem de calçada”, foi o que a atriz disse e essa pequena frase foi alvo de diversas críticas, piadas e memes na internet. Muitas pessoas alegaram que era impossível que o filho de Taís Araújo e Lázaro Ramos sofresse coisas tipo, pois deveria viver rodeado de babás, empregadas e seguranças. Alguns, inclusive, chamaram-na de hipócrita.

Apesar de diversos textos já terem sido postados a respeito do assunto, assumo minha posição: Os dois racismos são reais e os dois merecem atenção. O caso de Titi, filha de pais brancos, foi um caso de racismo direcionado e expressa o que a maioria das pessoas acredita: que é absurdo pais tão diferentes e padrões escolherem uma filha negra. Afinal, como muitos dizem “o racismo vai ser pior”. “Vão olhar para ela e dizer, olha seu é branco e você não”. As pessoas trazem esse discurso para apontar o racismo dos outros, quando na verdade, o racismo está inserido nelas também. E derrubar esse preconceito cabe a nós, também. A atitude de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank foi nobre.

Mas a atitude de Taís Araújo também foi. Ela, como negra, escancarou o racismo que nós, negros pobres ou ricos, vivemos. Um rapaz desabafou num vídeo que, ao perguntar as horas a uma mulher na rua, ela segurou a bolsa com força e correu. Ao reencontrá-la novamente, ela estava ao lado de um policial, provavelmente descrevendo-o como meliante. A nossa cor faz sim com que as pessoas mudem de calçada, nos humilhem e nos inferiorizem. A nossa faz os outros acreditarem que têm domínio sobre nós, que podem nos dizer que fazer ou quem ser, que são superiores, que são melhores do que nós.

E este preconceito, meus amigos, deve ser ainda mais combatido.

Pois vivenciamos dia após dia.

E enquanto o discurso de uma mãe negra escancarando essas ações for ridicularizado, nós não avançaremos.

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