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Soma Folia

Já é Carnaval! E, para você aproveitar da melhor maneira as festas de Momo, o Soma+ Notícias lançou o hotsite de Carnaval Soma+ Folia, quentinho mesmo, acabando de sair do forno.

Nele, você pode ficar por dentro das principais programações do Carnaval 2018 em Sergipe, além de obter dicas e informações úteis para curtir plenamente este, que é o feriado mais aguardado do ano!

E como, para ser um folião que se preze, é preciso compartilhar toda a alegria e badalação do período momesco, através da hashtag #foliasomacomvoce, suas fotos publicadas no Instagram vão parar diretinho no nosso hotsite, para que você possa dividir conosco (e com todos os nossos leitores) seus melhores momentos. A publicação mais curtida concorre a uma superpromoção do Soma+.

No Soma+ Folia nós também poderemos contar a SUA história de amor nascido no Carnaval! Basta mandar o seu "causo" para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., que a gente faz a festa!

Então, já sabe: o endereço certo da folia é www.somanoticias.com.br/carnaval. Vamos conosco?


|Por Soma Notícias

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"Alô, liberdade. Desculpa eu vir assim sem avisar, mas já era tarde".

 

O trecho acima é de Chico Buarque, mas traduz facilmente o estilo de vida do músico sergipano Irlan Joney que sempre teve o desejo de voar para longe. Primeiro, bateu asas para Brasília. Logo depois, embarcou com passagem só de ida para a Austrália. Voou despretensiosamente, achou ninho e ficou.

Assim como muitas pessoas, o músico sempre teve o desejo de conhecer novos lugares, de aprender a se virar sozinho. De ser completamente independente. Por isso, quando surgiu o convite para produzir um evento brasileiro em Sidney, capital australiana, aproveitou a oportunidade e seguiu rumo ao desconhecido.

“Já morava em Brasília, trabalhava numa emissora de televisão como editor de imagens e tinha uma produtora de audiovisual. Daí um dos meus clientes (uma banda) me contratou para vir à Austrália gravar vídeos do show deles no maior festival brasileiro da Oceania, o Ritmo, organizado pelo Conselho Brasileiro da Comunidade Brasileira na Austrália (BRACCA). Daí vim e não voltei mais”, relata.

Foi um jogo com a sorte. Irlan sabia que o país é relativamente novo e não tem uma cultura muito definida. Então, aproveitou a oportunidade para desenvolver novos projetos. “A Austrália é um país que está há 25 anos sem recessão econômica e, por ter sido descoberto há pouco tempo – em relação aos demais –, tudo aqui ainda é muito recente, o mercado, a cultura, etc. Então todo mundo está acostumado a coisas novas, às novas oportunidades”, explica.

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Atualmente, o músico faz de tudo um pouco. E garante que tem uma boa relação com os australianos. “Vivo da música aqui desde que cheguei, há dois anos e meio. Aqui, montei um trabalho instrumental de Blues, com outros 4 brasileiros tocando blues, bateria, guitarra, baixo e teclado. E, toda semana, toco na rua também, além de bares, restaurantes e casa de shows. Os estrangeiros ficam bem empolgados quando conhecem um brasileiro, geralmente eles são curiosos, perguntam bastante sobre o nosso país e, como meu círculo social aqui é muito voltado para o lado da música/arte/produção de eventos, eles perguntam muito sobre os ritmos brasileiros. Também tenho uma turma de aula de violão e guitarra onde ensino para os ‘gringos’ música brasileira”.

Além de trabalhar com música, Irlan revela que continua atuando com produção. “Também trabalho com audiovisual como freelancer (edição de imagens, motion graphics e filmagem) em algumas produtoras e, desde que cheguei, continuo rodando meu negócio, produzindo vídeos pra bandas e empresas”, acrescenta.

A relação com os australianos e brasileiros que vivem por lá é tão grande que, mesmo morando a menos tempo que os demais, o sergipano acabou se tornando presidente do BRACCA. E, a partir disso, tem realizado algumas ações para a comunidade. “Estamos organizando uma festa de dois dias (carnaval), além do Arraial 2018 (com público estimado em 3 mil pessoas) e o Brazilian Day, no mês de setembro. Tivemos uma edição em 2015 que reuniu 20 mil pessoas”, informa.

Entretanto, a Austrália não é feita somente de contatos pessoais e profissionais. Para Irlan, o país possui diversas características que fazem qualquer um se apaixonar. “As praias, a qualidade de vida, o surf, a proximidade de ilhas paradisíacas, como Bali, Fiji e Tailândia, e as passagens aéreas baratas são motivos suficientes para todo mundo gostar daqui”.

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Curiosidades

Se formos colocar em linha reta, Aracaju está a 14.959Km de Sydney. Mas se engana quem pensa que toda essa distância atrapalha alguma coisa. Muito pelo contrário. Irlan conta que os australianos são bem interessados em saber coisas do nosso estado e, sempre que Sergipe vira assunto, as perguntas são muitas. “É interessante ver a curiosidade do pessoal quando começo a falar sobre Sergipe. Normalmente eles dão atenção quando falo sobre a nossa rica cultura, a música. Eles são bastante curiosos. Como Austrália é um país onde praticamente metade da população nasceu aqui e metade são imigrantes, eles estão acostumados a lidar com pessoas de todo o mundo”.

Outra característica bastante forte no país é a segurança e gentileza entre as pessoas. “Um ponto muito positivo aqui é a educação e respeito com o próximo. Mas uma coisa que chama muito a atenção é a honestidade. Um dia deixei cair do bolso 500 dólares. Aí, uma mulher que estava andando atrás com seus filhos me chamou e devolveu o dinheiro. Fiquei impressionado. Aqui eu posso surfar e deixar meu celular com carteira na areia da praia e ninguém rouba”.

E é exatamente quando se fala nas diferenças entre Sergipe e Austrália que Irlan diz não saber se volta a morar por aqui. “Esse é um ponto difícil para falar, mas ultimamente tenho pensando bastante em voltar a viver em Aracaju com a experiência que adquiri aqui, mas isso é só um plano”, finaliza.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Arquivo Pessoal

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“Viver tão distante de nossa terra é desafiador. É um tal de abrir os horizontes para a imensidão do mundo e, ao mesmo tempo, viver com o coração apertado de saudades”. É dessa forma que Lays Batista resume sua morada em Portugal. A aracajuana de 28 anos, casada com o também sergipano Ricardo Maia, escolheu a cidade de Faro, localizada a 277km de Lisboa, para morar por diversos motivos. Mas, o maior deles, foi o futuro do filho pequeno.

“Eu e meu marido tomamos a decisão de vir embora, principalmente, para dar uma vida melhor ao nosso filho. E escolhemos Portugal por causa da facilidade com a língua, além da possibilidade de cidadania portuguesa, através do avô dele. Aí, como ele também tinha passado no mestrado aqui, tivemos a certeza de que seria o bom momento para recomeçar”, explica.

Embora tenha formação em recursos humanos, Lays revela que já trabalhava como confeiteira em Aracaju, por isso, tem investido neste ramo. “Como ainda não consegui um trabalho fixo aqui, tenho feito bolos por encomenda. E, graças a Deus, tem dado certo”.

E é exatamente quando se fala em emprego que a sergipana lembra de alguns perrengues que já passou. “Uma vez, fui deixar o curriculo em uma loja de sapatos e a funcionaria gritou que nao contratava brasileiras. Tipo, ela gritou bem alto no meio da loja. Na hora, fiquei paralisada. Fiquei tão sem graça, que nem consegui responder”, revela.

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Pessoas vindas de outras países ainda são vítimas de xenofobia nas terras portuguesas. E isso, segundo ela, acaba acontecendo com a maioria dos imigrantes. “Assim que chegamos, estava procurando um apartamento por telefone, aí liguei para um anúncio que tinha encontrado. Quando comecei a falar com a pessoa e ela percebeu meu português brasileiro, já foi dizendo que não arrendava (alugava) para brasileiros e desligou”, desabafa.

E os desafios com o trato português não param por aí. “Na região que eu moro, especificamente, existe muita gente arcaica, pessoas machistas e preconceituosas. Uma quantidade infinitamente maior do que no Brasil. Mas sei que isso é especifico daqui. Em outros lugares é bem mais tranquilo”, complementa.

Mas, como boa brasileira, Lays conta que consegue driblar essas situações constrangedoras e focar no seu propósito inicial.  “Como nosso foco principal está no futuro de nosso filho, temos visto que essa mudança tem sido profeitosa. A qualidade de vida e de ensino que ele tem por aqui é maravilhosa. Na escola por exemplo, apesar de ser pública, o ensino é incomparavelmente superior, tem uma refeição extremamente saudável (come salmão e bacalhau uma vez por semana) e lanches. E, tudo isso, pago com apenas uma taxa de imposto. Aliado a isso, nós percebemos uma enorme diferença em relação à segurança. Poder sair na rua com liberdade e sem  nenhum medo, entre tantas outras coisas positivas, são os melhores pontos”.

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Lidando com a distância

Quando questionada sobre a representantividade que Sergipe tem em sua vida, Lays resume com duas palavras: porto seguro.

No entanto, o estado também significa saudade. Daquelas que, embora pareçam simples, apertam o coração. “Sinto muita falta de minha família, dos meus amigos e de mangaba. É sério. Mangaba, para mim, tem gosto de casa, de lanche da escola. É pura nostalgia. Eu adoro e aqui não tem em canto nenhum. Nem as versões em polpa, nos supermercados”, lamenta.

Lidar com o desconhecimento dos portugueses em relação a sua terra, também causa certo estranhamento à sergipana. “Aqui, os portugueses não fazem ideia de onde fica Sergipe. É impressionante. Eles têm uma vaga noção quando digo que é perto da Bahia. E, sinceramente, eu não consigo entender isso”.

Já sobre a crise brasileira, segundo ela, o assunto é motivo de diversos questionamentos entre os lusitanos. “As pessoas aqui não entendem como chegamos a nossa atual situação politica e morrem de medo da violência, apesar de achar o Brasil lindo”, conclui.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Ricardo Maia/Arquivo Pessoal

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O sonho de morar fora do Brasil começou ainda na adolescência de Isis Bacelar. À época, a sergipana tinha apenas 17 anos e, após passar dois meses em Toronto, maior cidade do Canadá e principal centro financeiro do país, decidiu que, um dia, aquele lugar seria seu lar. Passados quase oito anos, com diploma de bacharel em Biologia em mãos e o desejo de crescer profissionalmente, Isis ajustou os planos com o esposo, o músico Ney Barbosa, e embarcou com destino a província de Ontário.

“Assim como eu, meu esposo também sempre teve vontade de ir pra fora, ter essa experiência. Então, enquanto estávamos namorando, nos programamos para ir embora logo depois que me formasse. Ele abraçou a minha ideia de vir a Toronto, já que eu já conhecia, e como ele é músico, a cidade acabou sendo a melhor opção para os dois. Chegamos em 2016 e, daí por diante, foram muitas lutas e conquistas”, conta.

A bióloga revela que a mudança de país se deu, principalmente, por questões acadêmicas. “Saí do Brasil por vários motivos. Minha antiga paixão por Toronto, minha vontade de vivenciar uma vida diferente, cultura diferente e estudar fora. Mas a principal motivação foi estudar ‘Autismo e Ciência do Comportamento’. O Brasil ainda é novo em relação à essa área, comparado com o Canadá e EUA, e Aracaju mais ainda. Estudei durante um ano e agora trabalho em um centro especializado para crianças e adultos com autismo. O centro tem em base análise de comportamento aplicado e é bastante reconhecido na província de Ontário”, explica.

Todavia, viver longe de casa tem lá suas dificuldades. E, para Isis, conviver com a saudade dos familiares e da comida sergipana, é um dos maiores problemas. “Estar longe da minha família é, sem dúvidas, a pior parte. Mas também sinto muita falta da comida. Não há nada igual a comida sergipana e sempre sofro quando vejo fotos de caranguejo e pirão de galinha em publicações nas redes sociais. Meus familiares me mandam e isso me ‘mata’. Parece que fazem de maldade”, brinca.

Mas Isis é do tipo que não passa aperto, não. Segundo ela, sempre que possível, sai em busca de algum comércio brasileiro para diminuir a saudade. “Eu me viro aqui. E só vivo procurando supermercado ou restaurante ‘brazuka’ para me sentir perto de casa”, comenta.

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Altos e baixos de um país de primeiro mundo

Viver num importante centro internacional de negócios, cultura, arte, segurança e, consequentemente, qualidade de vida, como Toronto, (que também é considerada uma das cidades mais seguras do Canadá e do continente americano) tem muitas vantagens. Uma delas, de acordo com Isis, está nas políticas públicas que combatem o preconceito em diversas esferas.

“Um dos pontos mais positivos de viver aqui está na imersão em uma cultura tão diferente da nossa. O Canadá é um país que preza muito pelo justo, fazer as coisas de acordo com a lei. É um país que luta pelas suas minorias e que abraça o diferente. Vejo cartazes e propagandas contra o machismo, o assédio, o preconceito e a homofobia.  Creio que tudo isso serve de ensinamento e amadurecimento. A possibilidade de andar ouvindo música, ir estudando com o iPad no ônibus, sem aquele medo constante, sabe? A possibilidade de crescer e ter uma vida boa, mesmo não tendo o emprego dos sonhos. As pessoas aqui prezam muito mais pelo conhecimento e experiência. E isso é muito interessante de se observar”, pontua.  

Porém, as quase dez horas de voo que separam a capital sergipana de seu atual lar, ainda causam um aperto no peito. “Por mais que estejamos bem aqui, algumas coisas ainda mexem conosco. É muito ruim ficar longe de pessoas queridas, perder momentos bons, deixar de estar presente no casamento de um amigo querido, não acompanhar o crescimento dos sobrinhos, etc. Isso tudo ainda é muito difícil. Além do mais, por mais amigos que façamos por aqui, na verdade, continuamos sozinhos. Sem família”, relata.

“Tenho uma amiga que costuma dizer que ‘o Canadá é a terra que você chora e mãe não vê’, e isso é uma grande verdade. Aqui minha família se resume ao meu esposo. Tive sorte de agregar alguns amigos, mas, no final das contas, somos só nós dois”, complementa.

Outro problema em morar fora está na sensação de não pertencimento. “Não importa o quanto você já conquistou, o quanto você fala bem inglês, o quanto você está envolvido naquela cultura, você sempre será imigrante. Não importa se está aqui legalmente, visto de turismo, trabalho, enfim. É uma sensação estranha de não pertencer 100% aqui, mas, também, é estranho sentir que você não pertence mais ao seu país. É um limbo (risos). Quando se decide morar fora, você só tem duas escolhas: ou passa a vida sofrendo pelo que ficou, ou se acostuma. Mas com o tempo e à medida que as coisas vão dando certo, esse aperto diminui”.

Isis também afirma que questões climáticas, como o frio extremo, pode ser um ponto negativo. “Esse inverno mesmo está sendo bem rigoroso, duas semanas com temperaturas abaixo de -20º. Junto com isso vem a depressão, pois você não sai muito de casa, não tem muito sol, os dias são mais curtos. Nem todo mundo aguenta passar basicamente 6 meses no inverno. E este é um dos motivos para as pessoas desistirem de estarem aqui. Mas eu gosto do inverno e tento abraçar todas as estações. É uma delícia poder ver a mudança na natureza”, conta.

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A fama dos brasileiros

O povo brasileiro é conhecido em diversos cantos do planeta. Somos lembrados em vários assuntos, como futebol, carnaval, clima, entre outros. Mas, no local onde Isis trabalha, a confiança da brasileira em relação ao seu próprio corpo é motivo de admiração.

“Em uma reunião informal da empresa, lembro que surgiu uma conversa sobre biquínis e mulheres. Somos 99% mulheres no centro e todas falavam sobre como as mulheres brasileiras eram confiantes e tinham belos corpos. Por isso usavam biquínis pequenos. E acho que a gente ainda passa muito isso, essa sexualização do corpo feminino. Como a mulher brasileira é segura em mostrar o próprio corpo”, relata.

Só que nem sempre a fama é boa. Segundo Isis, hoje em dia é muito difícil um brasileiro conseguir fazer um plano de telefonia móvel na cidade. O motivo? Muitos costumavam comprar aparelhos no país e não pagavam. Fazendo com que as empresas dificultassem a venda.

“Lembro que quando chegamos aqui rolou uma certa dificuldade de fazer plano de celular e comprar um. Soubemos, por outras pessoas, que antigamente era mais fácil. Mas, hoje em dia, quando eles veem o passaporte brasileiro, ficam um pouco desconfiados. A história foi que muitos brasileiros vinham para cá e pegavam celular, principalmente iPhone que é muito caro, por preços bem baixos, depois iam embora e deixavam contas em aberto. Aí os comerciantes canadenses ficaram mais exigentes quanto aos documentos aceitos”.

Além disso, apesar de ser um povo bastante educado e receptivo, Isis diz que os trâmites legais são um pouco rígidos para quem é de fora. “Nós não sofremos preconceitos por sermos brasileiros, mas por sermos imigrantes. Porque aqui existe uma desconfiança geral. Meu esposo foi fazer uma carteira de identidade Canadense, que é um documento que não se exige nada demais, só o passaporte e comprovante de residência, por exemplo, mas a primeira coisa que queriam saber era status dele no Canadá. Que é uma pergunta absurda. Se a pessoa não for agente imigratório, ela nunca pode fazer uma pergunta dessas. Então, coisas desse tipo acontecem muito. Mas não por ser brasileiro, mas, sim por ser imigrante mesmo”, esclarece.

No entanto, embora a burocracia canadense tenha lá suas complicações, Isis não tem dúvidas: está exatamente no lugar que sempre sonhou. “Eu sinto que Toronto é meu lar. Não me vejo voltando a morar em Aracaju. Para mim, Sergipe significa saudades da minha família, amigos e das memórias que vivi”, finaliza.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Arquivo Pessoal

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Sabe aquelas histórias de cinema em que a pessoa encontra o amor de sua vida de maneira inusitada e acaba casando? Foi dessa forma que aconteceu com Aleide Dantas Resta, de 36 anos. Natural de Capela, a sergipana já morava em Aracaju há algum tempo, então, certo dia, resolveu sair com umas amigas e acabou conhecendo Angelo Resta, o italiano que conquistou seu coração.

O cenário desse grande encontro foi um barzinho da Orla de Atalaia, Zona Sul da Capital. Lá, enquanto conversava com um grupo de amigos, percebeu que um homem não parava de encará-la. Dos olhares, surgiu um convite para dançar. E, assim, tudo começou. “Começamos a conversar pela primeira vez ali mesmo. Eu não falava italiano na época e um tradutor do bar que eu estava nos auxiliou. A partir desse primeiro encontro, surgiu o convite para ir visita-lo na Itália”, relembra.

Logo após essa noite, Aleide passou a ser uma espécie de guia turístico para o italiano. Apresentou as praias, restaurantes e diversos pontos turísticos de Aracaju. Mas ele precisou ir embora. E, então, ela percebeu que aqueles dias poderiam se transformar em algo mais duradouro.

Aleide conta que, a princípio, ela e Ângelo ficaram conversando através das redes sociais e por telefone. Até que, um dia, depois de muita insistência dele, tomou coragem e resolveu aceitar o convite para conhecer sua terra natal. “No começo, fiquei um pouco assustada, pois nunca tinha saído de Sergipe, quanto mais visitar outro país. Mas, lá no fundo, eu tinha a certeza de que não ia me arrepender e me joguei”, revela.

 

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A priori, seriam apenas três meses, mas, assim que voltou de Milão, maior cidade da Itália, com uma população estimada em mais de 7 milhões de habitantes, Aleide explica que foi pedida em casamento. “Foi tudo muito rápido e, também, muito difícil. Até porque, infelizmente, as pessoas aqui ainda associam a mulher brasileira à prostituição. E comigo não foi diferente. Até a família de meu esposo relutou em aceitar nossa união, mas, como eu tinha certeza de nosso amor, aceitei o pedido e fiz de tudo para desconstruir essa imagem. Hoje, graças a Deus, temos uma excelente relação com todos”.

A sergipana lembra que o início da relação foi tão difícil que,  no dia do seu casamento, somente ela, o esposo e o dois representantes da justiça italiana estavam presente. “Casamos após seis meses de namoro. Como eu disse, realmente, foi tudo muito rápido, mas não me arrependo de minha decisão”.

Mas toda essa luta valeu a pena. Hoje Aleide já tem dupla nacionalidade, é funcionária de uma fábrica de bolsas e, nas horas vagas, brinca de ser garota propaganda do seu estado natal. “Eu falo de Sergipe para todo mundo. E foi exatamente por isso que os familiares de meu esposo mudaram a visão que tinham do Brasil. Eu sei que nós temos muitos problemas, mas, também sei de nossas inúmeras qualidades. Principalmente a alegria de nosso povo e as nossas riquezas naturais e culturais”, diz.

E, por falar em riquezas, Aleide conta que, de tanto falar em Aracaju, uma amiga italiana resolveu colocar a cidade como destino para sua lua de mel. “Eu vivo mostrando fotos de nossas praias e pontos turísticos e todos se encantam e dizem que querem conhecer. Daí, uma de minhas amigas -- que vai casar em setembro -- estava procurando uma cidade para conhecer e é claro que não pensei duas vezes. Falei tanto em Aracaju que ela já fechou o pacote e vai passar vários dias em minha terrinha”, explica aos risos.

 

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Divulgando Sergipe

É dessa maneira que Aleide tenta compensar a falta que sente de seu estado. Por meio de publicações em redes sociais, chamadas de vídeos e troca de fotos diárias, ela ameniza a saudade de casa e, ainda, apresenta Sergipe aos italianos.

“A nossa gente calorosa é uma saudade constante. Por aqui não existem pessoas como em nosso estado. Não têm festas tão boas, nem praias como as nossas. Muito menos harmonia entre as pessoas. Estou muito feliz com minha mudança de vida, mas um pedaço do meu coração está triste por não poder desfrutar da minha cidade maravilhosa”, afirma.

Valorização trabalhista

Tem uma coisa que, para Aleide, os italianos ganham em disparada dos brasileiros: o tratamento com os funcionários. “Eu não sinto falta do tempo que trabalhava aí. Na verdade, é a única coisa que não sinto falta de jeito nenhum. Aqui eu trabalho bem menos e recebo quatro vezes mais do que se fizesse o mesmo trabalho no Brasil. Além disso, eu me sinto valorizada e respeitada como profissional. Coisa que, infelizmente, ainda é muito difícil em nosso País”, finaliza.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Arquivo Pessoal

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Nascidos no menor estado de um país de terceiro mundo, é comum para os sergipanos ouvirem, com certa frequência, que para alcançarem sucesso profissional e pessoal é preciso deixar sua terra e embarcar numa jornada desconhecida rumo a outras regiões e, até mesmo, outros países - afinal, há diversas áreas que ainda possuem poucas oportunidades de atuação por aqui. Foi assim com Rafael Nascimento, de 25 anos, natural de Aracaju e morador de Budapeste, capital da Hungria. A busca pelo crescimento e reconhecimento profissional é uma das razões que o levaram a deixar sua terra natal.

Sendo da área de Tecnologia de Informação, Rafael diz que sempre estudou e trabalhou sem um mentor. “As melhores pessoas da minha área estavam indo embora para São Paulo ou Rio, principalmente, ou para os Estados Unidos”, conta. Apaixonado pela cultura e pela história da Europa, ele sabia que os lugares mais clichês não eram uma opção. E, como já tinha feito alguns amigos em outras oportunidades de viagem pelo leste europeu, planejou tudo direitinho, fez as malas e foi. De vez.

Inicialmente, sua ida foi através de um programa de intercâmbio em estágios. E, após diversas empresas demonstrarem interesse pelo seu perfil de trabalho, a Possible, em Budapeste, foi a escolhida. “Eu optei por Budapeste por dois motivos: a empresa daqui me chamou muito a atenção pelos projetos e tecnologias que estavam sendo desenvolvidos e, apesar de nunca ter visitado a cidade, sempre ouvi coisas muito boas sobre sua beleza e custo- benefício”, explica.

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Mas se engana quem pensa que a adaptação é rápida. O clima europeu sempre nos foi mostrado como um inverno de estilo, propício para a elegância de cachecóis, casacos e sobretudos, com fumacinha quente saindo dos lábios durante a fala. Porém, para o sergipano fora de casa, toda essa elegância custa caro para o corpo acostumado com o calor. Rafael conta que no verão, a temperatura pode chegar a 39º C, enquanto no inverno cai para até -20º C. A Hungria também não é um país com costa, portanto, nenhuma pontinha de mar. E isso ainda é um choque e tanto para o aracajuano. “Sinto saudade de uma praia a 15 minutos de casa”, relata. Trabalhando como programador júnior, o plano inicial era ficar no país por apenas um ano, mas seu trabalho foi reconhecido e veio a proposta de permanecer por mais tempo. E ele não pensou duas vezes. “Tenho tido uma experiência muito positiva. Eu me considero uma pessoa muito racional e desapegada, consigo me adaptar a novas condições”, pontua.

Um sergipano em meio a um povo reservado

Budapeste passou a lidar com a crescente onda de estrangeiros na última década. Assim, um sentimento de apropriação tomou conta dos húngaros da cidade, principalmente levando em conta o fator histórico, já que a região perdeu diversas guerras e batalhas, além de ter parte do território tomado por vizinhos. Rafael explica que esse sentimento triste acaba sendo refletido no humor das pessoas. “Muitos deles são bastante reservados e têm a autoestima muito baixa. Mas, apesar disso, eles são muito orgulhosos do país” comenta. Esse jeito mais fechado da população, porém, não interferiu na receptividade, e o sergipano diz que foi bem recebido pelos colegas de trabalho assim que chegou.

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O Brasil na visão dos húngaros

Quando perguntado sobre a perspectiva húngara acerca do Brasil, Rafael conta que converge com a visão geral que o exterior tem: um povo exótico. “Eles têm uma ideia de que a gente é mesmo esse povo alegre, quente, que gosta de festa, de carnaval. O estereótipo do latin lover: essa foi uma expressão que eu conheci aqui. O latin lover é aquele cara ou aquela mulher que é bonita, quente, que vai arrasar os corações das pessoas. Essa é a ideia que eles têm do brasileiro; essa é a ideia que eles têm de mim”, explica aos risos.

O sergipano também afirma que sua mudança foi muito questionada pelos húngaros, já que a imagem do nosso país é positiva pelo lado de lá. Boa parte das questões envolviam, por exemplo, a natureza, o clima e o sucesso nas realizações da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. “Eles têm uma ideia muito boa do Brasil, muito positiva. Claro que eles sabem da corrupção e dessas coisas todas, mas isso acontece em todo lugar; não é uma coisa especial do Brasil”, comenta. Rafael também explica que o brasileiro acha que a corrupção e os escândalos políticos que temos também são  uma realidade no leste europeu.

Já sobre Sergipe, raramente encontrou alguém que tivesse ouvido falar. Rafael conta que é mais comum que conheçam o Rio de Janeiro, São Paulo ou, em alguns casos, Brasília. “Recordo-me apenas de duas vezes em que me disseram que já tinham ouvido falar em Sergipe, e isso porque a pessoa tinha conhecido alguém de Aracaju”, explica. “A imagem brasileira é bem generalizada, assim, pouco se conhece sobre nosso estado”, acrescenta.

Saudade de casa x Sensação de pertencimento

"Sergipe, para mim, é um lugar especial, amo demais essa terra, tenho um orgulho muito grande de ser sergipano", é o que responde Rafael, quando questionado sobre sua terra natal.

Ele afirma, com tom nostálgico, que sua maior saudade é a família, porém, sempre ansiou ir além, cruzar fronteiras, seguir outros passos - algo que, na maioria das vezes, não era uma preocupação das pessoas ao seu redor. "Sergipe é o meu lar. É o lugar onde eu nasci, cresci, me tornei homem e onde aprendi valores com a minha família", finaliza.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Arquivo Pessoal

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Sombra, mar, tranquilidade e água fresca. Essa combinação deve povoar o sonho de muitas pessoas, não é mesmo? E quer saber de uma coisa? Tem uma sergipana arretada que desfruta dessa vida há algum tempo. Onze anos para ser mais exato. O nome dela é Ana Paula Silva, tem 45 anos, e, desde 2006, vive numa pequena cidade chamada Santa Cruz, localizada na Ilha da Madeira, território de Portugal.

A pequena ilha, distante quase mil quilômetros de Lisboa, capital portuguesa, foi escolhida pela terapeuta para morar por uma razão simples: espiritualidade. “Vim para cá em busca de conhecimentos esotéricos. Precisava me encontrar como pessoa e, também, conhecer os lugares de minhas vidas passadas”, resume.

E, desde que chegou, é justamente isso que tem feito. “Aqui, eu ajudo as pessoas através das minhas terapias esotéricas. E, graças ao caminho que busquei, consegui desenvolver um método para ajudar e levantar as pessoas que estão com depressão e problemas correlacionados. Sou formada em Reiki e uso pedras orgonite, para curar as pessoas. E, também, faço alinhamento de chakras, que, às vezes, encontro desarmonizados”.

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O orgonite, citado por ela, é um tipo de pedra utilizada como catalisador e sua principal função é transformar energia negativa em positiva. Já os chakras, segundo a filosofia iogue, são centros energéticos dentro do corpo humano, que distribuem a energia (prana) através de canais (nadis) que nutrem órgãos e sistemas.

O local escolhido para morar tem, além da razão espiritual, uma outra explicação: o clima é bastante semelhante com o do nordeste brasileiro. Fator que, para a terapeuta, faz-se sentir um pouco em casa. “As pessoas aqui são muito parecidas com o nosso povo de Aracaju. São pessoas alegres, amigáveis. Escolhi a Ilha da Madeira para morar também por isso. É uma Ilha linda, e possui um clima quase tropical que traz muita paz e harmonia. Fiz muitas amizades por aqui, é bom de viver”, relata.

Nordestina, sim!

Casada com um madeirense, Ana Paula já possui a dupla nacionalidade, mas não esconde a saudade de sua terra. “Hoje sou casada, tenho uma filha portuguesa de 10 anos, a Vitória Lessa, que é uma menina linda e muito inteligente. É até interessante falar nisso, porque as pessoas daqui a tratam de um modo especial, por ser filha de brasileira. Mas também sou mãe de Mirella Freitas, minha menina mais velha. A artista da casa. Ela é atriz e cantora de ópera aí em Sergipe. Poucas pessoas sabem, mas eu sou filha do cantor Sergio Silva, o príncipe do Brega, que é pernambucano de nascimento, mas foi radicado em Aquidabã, interior sergipano. Minha mãe era cabeleira, mas já se aposentou e, aí em Aracaju, tenho três irmãos. Todos eles são minha saudade diária”, conta.

E é justamente quando fala em saudade que a terapeuta faz questão de relembrar suas origens. “Ave Maria!, o aperto no peito é grande. Sabe, para mim é ainda mais difícil quando o período junino chega. Quando é tempo de São João, mato a saudade vendo as publicações nas redes sociais. Inclusive, uso um perfil pessoal somente para publicar vídeos e fotos do nosso São João. É a festa mais linda do mundo. Eu sempre faço questão de falar de nossas tradições por aqui e todos ficam encantados ao ver as minhas publicações de vídeos sobre as festas de nossa cidade. Aracaju é a mais bonita do Brasil”, revela empolgada.

 

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O amor pelas tradições nordestinas não se limita a simples posts na internet. Ana Paula é do tipo que faz questão de contar para todo mundo como é a nossa cultura e quais as principais festividades que acontecem no estado. “Quando eu falo dos costumes de Aracaju e o modo como falamos, os Madeirenses ficam encantados. Os portugueses gostam muito das tradições do nosso Brasil, por isso eu amo divulgar tudo que nosso estado possui”.

“Falo tanto do forró nordestino aqui que alguns amigos foram conhecer e amaram”, acrescenta.

Colocando tudo na balança

Decidir morar em um país diferente tem lá seus contratempos. No entanto, Ana Paula diz que buscou em suas raízes a força necessária para conquistar cada degrau. “No começo, sofri um pouco e passei por algumas situações delicadas. Mas vocês sabem como é nordestino, né? A gente tem garra e conquista com a nossa honestidade, humildade e carinho qualquer coração do mundo. E é com a ajuda de Deus que eu tenho conseguido trilhar meu caminho por aqui. Hoje, através de meu trabalho, sou bastante conhecida aqui e sou muito bem tratada”.

Embora já esteja há mais de dez anos fora de sua terra natal e tenha se estabelecido legalmente em outro país, ela conta que algumas situações ainda são corriqueiras.

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“Existe algo que ainda é muito comum por aqui: muitas pessoas associam a mulher brasileira à prostituição, pois, infelizmente, muitas viajam a outros países, buscando melhorias de vida e caem em armadilhas como essa. Por isso é perigoso sair sem rumo. O melhor mesmo é contar com pessoas que conhecem há muito tempo e se preparar e ter mais informações, através de agências de turismo ou Polícia Federal. Pois, infelizmente, isso ainda existe. Mas, no meu caso, graças a Deus e Nossa Senhora de Aparecida, foi ao contrário. Vim mesmo a passeio, conheci o meu marido, casamos e fiquei por aqui”, explica.

“Os portugueses gostam do Brasil. Mas pensam que o nosso país se limita ao Rio de Janeiro e São Paulo, pois, por aqui, o noticiário exibe mais coisas de lá e só passam notícias de desgraças, violência e favelas, que é o lado negativo do Brasil. E, por causa disso, muitos pensam que o Brasil é um país ruim. Mas eu venho lutando para mostrar que nossa terra, apesar de todos esses problemas, tem lugares e culturas belas. E sempre uso Aracaju como por exemplo. Eu não tenho vergonha de onde eu vim e tenho mesmo e orgulho de ser aracajuana”.

Todavia, para ela, os pontos positivos ainda superam todo o estigma que ainda insiste em estereotipar o povo brasileiro. “Viver longe nos permite conhecer novas culturas e costumes. E aqui, por exemplo, o povo se parece demais com o nosso povo aracajuano: são calorosas e dão valor a sua gente e a cultura que possuem. São acolhedores e nos faz sentir-se em casa”, finaliza.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Arquivo Pessoal

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A sede de conhecimento sempre foi o que movimentou a vida de Whanda Santos Nunes, 31 anos. Graduada em Logística e com uma segunda graduação em andamento, a aracajuana vive na Bélgica há um ano e três meses, onde trabalha e se prepara para retomar os estudos.

Em Aracaju, viveu uma infância e adolescência humildes, seu pai era pedreiro e sua mãe empregada doméstica, mas, apesar das dificuldades não desistiu do sonho de ter um futuro melhor. A primeira grande virada em sua vida aconteceu quando tinha apenas 16 anos: o nascimento de seu filho.

Decidida a oferecer uma vida melhor para o filho, ela estudou e conseguiu um bom trabalho, mas sentia que aquilo não era o bastante. Foi pelas redes sociais que ela conheceu uma prima que morava na Bélgica, as duas estreitaram os laços familiares e surgiu o convite para Whanda e seu namorado passarem as férias no país europeu. “Eu e meu namorado fomos e ficamos deslumbrados como tudo funciona na Bélgica e, então, minha prima me deu a ideia de que poderíamos morar aqui”, relembra.

De volta ao Brasil, dedicou-se a estudar as possibilidades de se morar legalmente no país. “Na época, meu namorado estava concluindo o mestrado em engenharia química e eu queria que ele fizesse o doutorado na Bélgica, mas, por conta da burocracia brasileira, acabamos não conseguindo, então, decidimos vir ilegalmente. Existe um acordo entre Brasil e Bélgica que permite a pessoa ficar aqui por um período de até 90 dias sem a necessidade do visto, após este período se torna ilegal. Foi o que aconteceu conosco”, explica.

Isso acontece porque a Bélgica faz parte do Espaço Schengen, um tratado de livre circulação de pessoas, que dá o direito de circular em 26 países da União Europeia. Durante os três meses como “turista”, ela e o namorado ficaram hospedados na casa da prima, mas depois que o período acabou tiveram que buscar outro local para morar.

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Dificuldades

A aracajuana lembra que a falta de documentos oficiais foi uma das maiores dificuldades para conseguir emprego. Mas a ajuda veio de outro casal de brasileiros que moravam por lá há mais de 10 anos.  “Eles são sócios em uma empresa de serviços de limpeza em geral. Criamos uma relação que foi além de trabalho. Tivemos muita sorte em encontrá-los. Desde então, não saí mais da empresa, trabalho com eles há um ano na área de limpeza de escritórios, tapetes, vidros, dentre outros”, comenta.

“O padrão de vida aqui é bem diferente do Brasil, mesmo trabalhando com limpeza, que é um dos serviços menos remunerados, consigo ter uma vida bem melhor do que eu tinha no Brasil. Consigo dar ao meu filho coisas que eu sempre desejei”, relata. Ao falar do filho, Whanda se emociona, pois deixou o menino, hoje com 14 anos, em Sergipe com sua mãe e são eles os donos de suas maiores saudades.

Vivendo longe do forró

Whanda garante que outra coisa que sente muita falta é do forró. “Como uma boa sergipana, sou uma forrozeira nata e dançar um bom forró é outra coisa da qual eu sinto falta. A maioria dos brasileiros que aqui vivem, são da cidade de Goiás ou de Minas Gerais, logo, ouve-se muita música sertaneja por aqui, já o meu forró...”, brinca.

Já sobre o clima, ela diz ainda não ter se adaptado totalmente às baixas temperaturas. “Aqui chega a fazer -10º Celsius, o que para mim é coisa de outro mundo. No Brasil, eu não gostava nem de usar ar condicionado, imagina me acostumar com uma temperatura dessas”, comenta.


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Desconstruindo estigmas

“É muito difícil para os Belgas compreenderem o que leva um brasileiro viver aqui, para eles o Brasil é um paraíso (país quente e lindo). Quando tento explicar o porquê, focando na economia do país, eu observo o semblante espantoso neles; aqui a gente paga os impostos com prazer, pois, vemos funcionar. Infelizmente poucos conhecem o meu estado, faço tudo para divulgar, mas, até os brasileiros que aqui vivem conhecem muito pouco de Sergipe”, lamenta.

Ela explica que a visão que os europeus têm dos brasileiros não é das melhores. “Existem muitos (brasileiros) que dão ‘golpes’, inclusive em outros brasileiros. Já as mulheres, é aquela cultura que o Brasil expõe para o mundo: ‘Bunda’. Já ouvi coisas do tipo: ‘Brasil é uma festa’. ‘Brasileiros são calientes’. E já tentaram passar a mão em mim pelo fato de eu ser brasileira”, desabafa.

Há um ano e três meses na Bélgica, Whanda afirma que já está conseguindo resolver a situação no país para, em breve, dar continuidade aos seus projetos. “Pretendo seguir meu plano inicial que é estudar aqui, concluir minha graduação e tentar um mestrado”.

Sobre a possibilidade de voltar a Sergipe, Whanda diz que pretende fazê-lo somente após a conclusão dos estudos. “Até lá, com toda certeza irei a passeio, pois ficar longe da minha terra é difícil. Eu não conheço muitos estados do Brasil, mas Sergipe é um pedaço de mim que levarei por onde eu for”, conclui.

|Por Soma Notícias
|Fotos: Arquivo Pessoal

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