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Domingo, 17 Dezembro 2017 00:00

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. 
Apenas estou.
Por Diogo Souza, o Cara do Espelho.

http://www.facebook.com/diogocaradoespelho | http://www.instagram.com/caradoespelho

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Para dois idiotas

“A vida é um jogo sem importância
estamos nem aí para quem você namora.“
(Lorde – Royals)


Por muito tempo eu fui o garotinho certinho que as tias apertavam as bochechas e falavam em tom infantil. Fui o mais correto e o mais comportado, fui o padrão de comparação para os outros da minha idade. Eu era o que devia ser, segundo o que diziam. Eu não respondia os mais velhos, eu nunca dizia não, eu não saía do caminho e não atrasava a lição de casa. Eu era apenas o que me deixavam o ser. Não havia grade nenhuma, mas de certa forma eu estava preso. Estava preso dentro de mim mesmo.

Por muito tempo, eu fui apenas um telespectador da comédia romântica da minha própria vida. Mas a grande verdade é que a tragédia sempre me atraiu mais, assim como os gregos e romanos. Eu fui um personagem criado por mim para atender às expectativas alheias e silenciar questionamentos mais profundos. Uma versão superficial, virtual e artificial de mim mesmo. Apenas uma resposta pronta e fechada.

Às vezes, é difícil carregar nas costas o peso da responsabilidade de ser bom em alguma coisa, porque as pessoas te engrandecem e te põem lá em cima e esperam muito de você, mas te destroem na menor suspeita de erro. De repente, sua vida se resume a tentar ser como exatamente você foi num determinado momento para agradar os outros, nada a mais nem a menos do que aquilo. Mas descobri que eu não sou, eu apenas estou. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.

Descobri que não era mais aquele mesmo garotinho, ele era uma grande farsa. Eu tirei o sobretudo e despi minha alma, experimentei olhar com meus próprios olhos e julgar menos. Teoricamente, passei a ser um problema. Simplesmente cansei de agradar todo mundo e percebi que ser você mesmo é motivo o bastante para que te odeiem, mas eu não me importo. Eu me permiti improvisar nesse teatro tragicômico que é a vida. Eu sorri em demasia e chorei em demasia, só porque cansei de ouvir todos me dizendo que tudo tinha que ser na medida certa. Então tive uma overdose de mim mesmo só para entrar em equilíbrio com minha alma.

Já quando as pessoas se apaixonam por mim, elas querem me meter nos seus padrões de fracassos antigos, me enfiar num templo religioso ou num motel barato. Apenas me mudar. Mas eu não mudo por capricho de ninguém, eu tenho a mente muito aberta para fechá-la em um templo só e um amor próprio muito grande para me acomodar numa história mais ou menos. Eu me apaixono rápido, desapaixono fácil, parto para outra quando vejo que não tem futuro ou apenas deixo estar porque eu apenas estou. E quando lembram de me avisar que acabou eu já estou distante navegando outro mar. E quando o arrependimento faz essas pessoas voltarem, eu apenas sigo minha direção. Mas quando dizem que estou me vingando, só o que posso dizer é que estou seguindo em frente.

Eu estou, eu apenas estou.

Diogo Souza,
às 23h:35, 08 de novembro de 2015.

Publicado em Especial
Domingo, 10 Dezembro 2017 00:00

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. 
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Por Diogo Souza, o Cara do Espelho.

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Quando eu digo que curso jornalismo, as pessoas costumam falar: “vai ser o novo William Bonner”, “vai ser o novo Evaristo Costa”. Quando digo que eu gosto de escrever e de literatura, me dizem: “vai ser o novo Rubem Alves”. E assim vai, para cada tarefa que faço, um novo ícone é lançado como sendo o meu suposto objetivo de vida.

Mas não me interessa ser nenhum deles! Eles são maravilhosos, mas não quero ser a nova versão de ninguém. Primeiro, porque é impossível ser outra pessoa, correto? Segundo, porque a única pessoa que eu quero ser é um novo eu.

Mas parece que o importante é comparar, enaltecer uns e diminuir outros. Colocam em nossas cabeças que precisamos ter o mesmo sucesso de alguém. Essa semana, li uma frase que dizia que não devemos comparar nossos bastidores com o palco do vizinho. Isso foi um choque de realidade.

Eu estava acostumado a achar que não conseguiria ter leitores no blog, seguidores nas redes sociais e, o que mais me afligia, ter uma carreira no jornalismo, mesmo com minha essência pedindo literatura. Eu via tantos escritores tendo sucesso com seus projetos, tantos jornalistas escrevendo e lançando livros. Mas o sucesso era sempre com eles e nunca comigo, eu nem tentava imaginar o tamanho do trabalho que eles tinham com seus blogs. Queria ser igual a eles, chegar naquele patamar.

Fui me moldando para fazer essas coisas acontecerem, mas não aconteciam. Mas o que eu sabia sobre o trabalho deles? Se eu detesto ser comparado aos outros, por que eu estava me fazendo essas mesmas comparações? Assim como eles, eu precisaria trabalhar duro em meus objetivos, pois o sucesso deles não veio por acaso, não foi fácil. Precisei repensar isso, rever certas atitudes e a conclusão foi simples: eu não quero o lugar de ninguém, quero conquistar o meu lugar.

O primeiro passo foi parar de olhar para o gramado verde do vizinho e cuidar mais do meu jardim. Me recordo que, há quatro anos, o único lugar para onde meus textos iam era a minha gaveta. Então criei o blog. E isso não foi nada, pois tive que aprender a usar as plataformas, tive que conseguir público, desenvolver minha escrita e tantas outras habilidades. Durante o curso de jornalismo, vi diversos blogs – semelhantes ou não ao meu –  surgirem e serem abandonados por colegas que viram que não é simplesmente publicar e deixar o conteúdo lá.

Anos depois, o mesmo blog ainda me dá muito trabalho, mas ele se tornou o meu diferencial e, graças a ele, consegui estágios, freelas, amigos, leitores e a coluna no portal de notícias. E eu não poderia esquecer essas conquistas pelo simples fato de não ter o mesmo número de acessos que um outro blog tenha. Cada vitória, por menor que seja, e cada espaço que consegui abrir para meu trabalho foi porque fui eu mesmo, porque eu não quis ser alguém diferente.

Quando disse lá no começo que só quero ser um novo eu, não é mentira. Minhas referências me inspiram e me ajudam a me (re)compor. Então, quero ser eu mesmo de maneiras novas para me renovar... me reinventar, pois é isso que movimenta minha escrita e é isso que faz a minha arte. São os meus estados emocionais, as minhas fases, os degraus que subo e todas as mudanças, as que eu sofro e também as que eu promovo. Tudo isso faz parte da minha trilha que é única, ou seja, não é igual a de mais ninguém.

A gente caminha melhor quando sabe que cada um faz seu próprio caminho.

Diogo Souza, em 04 de setembro de 2017

Publicado em Especial
Domingo, 03 Dezembro 2017 00:00

Cara do Espelho

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O tempo corre e não consegue parar, seus dias se alongam e suas noites encurtam. A pressa tem seu preço e a ansiedade os seus castigos. Os blocos de palavras, concretadas na construção de um novo texto, aprisionam um poeta entre quadro paredes que abafam a sua voz com a força de uma muralha milenar.

Suas frases fortes se esgotaram e surge o medo de que percebam que o seu lirismo está agonizando, afogando-se em objetividade e fórmulas. Pela janela vê a chuva cair, lavando suas máscaras e levando os excessos embora.

Ele não saberia traduzir em palavras, até porque elas têm fugindo do alcance de suas mãos e de sua voz. Porque as sensações não são as mesmas de antes, são novas, intensas e simultâneas.

Refém de sua própria glória forjada e prisioneiro de suas necessidades, aquele cara olha nos olhos do cursor do seu editor de texto favorito e promete, um dia, voltar.



Diogo Souza, o Cara do Espelho,
em 22/11/2016.

Publicado em Especial
Domingo, 26 Novembro 2017 00:00

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Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
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"De repente se meu coração é o oceano,
navegado por um novo amor inesperado"
(Flávio Venturini)

O coração é um pescador navegando mares em busca de amor, o seu alimento. O amor que o faz seguir em frente, superando limites ao cruzar mares desconhecidos. Guiado pelas estrelas, desenhando nas constelações no céu enquanto a Lua movimenta a maré em seu peito.

Entre um sonho e suspiro, segue adentrando mares por vezes calmos, por vezes revoltos, rasos ou profundos, todos sempre perigosos até que encontrar um porto seguro. O coração é um desbravador poético, sempre seguindo sua bússola em busca da terra firme jamais encontrada. Enfrentando tempestade após tempestade em busca da calmaria que norteia sua vida.

Mas os mares são sempre misteriosos, nunca se sabe onde estará a próxima armadilha. A mentira capturada em sua rede, causa-lhe a dor, danifica a embarcação e o naufrágio parece iminente. Mas o coração sabe que há sempre esperança, que o vento diminui e as águas se acalmam.

Continue a navegar, mesmo cansado! Pois há de chegar aquele dia em que, no horizonte, surgirá um novo amor que deslizará por suas águas em sua direção com doçura e liberdade. Ficando ao seu lado, disposto a navegar outros mil mares contigo, como jamais o fizeram antes.

Seu porto seguro, sua terra firme, seu alimento, sua calmaria.

E chegou.


         - Diogo Souza, 25 de agosto de 2016

Publicado em Especial
Domingo, 19 Novembro 2017 00:00

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
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“A poesia natural que o rodeia,
ao se refletir na imaginação,
não se transforma em poema.
Ele é, somente, um objeto no quadro,
uma pincelada;
um acidente na penumbra.”
(O Homem Medíocre – José Ingenieros)

A lua parecia sorrir no céu, mas ele não percebia. O vento soprava e soava por entre os montes compondo uma música lenta e melancólica, mas ele não ouvia. As águas livres da pequena cachoeira diante de si declamavam poesias heroicas e ardentemente apaixonadas, mas ele não as entendia.

Ele não estava distraído, apenas não podia ir além do que seus olhos podiam ver e os ouvidos escutar. Ele estava congelado como um grande iceberg à deriva no oceano gelado. Sua frieza veio com os anos, com os nãos, com as desilusões, a falta de fé em si mesmo e o amor próprio nunca cultivado naquelas terras.

Seu olhar seguia fixo, olhando tudo e não enxergando nada. Ele era quase como uma daquelas rochas inanimadas onde costumava se sentar nos fins de tarde. Tinha toda a poesia do mundo diante de si, mas não a captava, não se apoderava dela.

O reflexo de seu corpo imóvel sentado ali dançava na água do riacho ao ritmo da melodia do vento e da poesia da cachoeira, mas ele não percebia. Não era capaz. Ele estava cego, surdo e mudo.

Publicado em Especial
Sábado, 11 Novembro 2017 21:00

Cara do Espelho

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Ao longo dos anos, venho conhecendo diversas pessoas por meio do blog, pessoas que lêem, se identificam com algum trecho, que concordam ou não, etc. Pessoas diferentes, distantes fisicamente e até mesmo socialmente, mas a maioria aparecia com algo em comum: a dor da perda. O “deixar ir” era o maior desafio naquele momento.

Temos uma tendência a idealizar a vida, a esperar demais e nos apegar demais às pessoas, locais ou momentos. No entanto, tudo é passageiro. Há coisas que duram muito tempo, outras nem tanto. Aprendemos a conquistar e a vencer, mas nem sempre estamos prontos para derrota.

Lembro que alguns daqueles leitores reclamavam de quase tudo o que viveram e viviam ao lado de seus parceiros, a maioria eram relacionamentos falidos, desgastados por brigas, orgulho e ciúmes, alguns até mesmo por abuso. Faziam questão de mostrar porque eram infelizes. No entanto, mesmo com tantos motivos, ainda era muito difícil reconhecer que o ponto final talvez fosse a melhor solução.

Um leitor uma vez comentou sobre um texto meu e disse que sentia que era hora de dar um basta na relação que vivia na época. Dizia-se cansado de sofrer e de viver tantas instabilidades pelas incertezas da outra pessoa. Ele já sabia que não valia a pena sofrer nem se desgastar tentando fazer a relação voltar a ser como era no início. Esse leitor se tornou um grande amigo e o vi escrever seu ponto final discreta, calma e decididamente. Ainda assim, não foi um processo fácil, como pude acompanhar.

Muitas vezes, os parágrafos finais de uma história já foram escritos, mas falta coragem para colocar o último ponto. Decidir talvez seja a parte mais difícil, pois o que vem depois é libertador. Deixar a pessoa ir é uma grande prova de amor ao outro e a si mesmo, afinal sofrer não vai fazer bem a nenhum dos dois.

Dalai Lama escreveu sobre quando estamos envolvidos demais com qualquer sentimento, seja amor ou ódio, e que temos que olhar para dentro e questionar: “o que é afeto? E o que é apego? Qual a natureza da raiva?”. As respostas estão dentro de nós e nos cabe entender até onde vai o afeto e começa o apego.

Do que você precisa desapegar?

Desapegar no sentido de saber que estamos todos de passagem e que ninguém pertence a ninguém. Saber que as coisas nem sempre saem como queremos. Perdoar os erros do outro. Reconhecer os próprios erros. Perdoar a si mesmo. Deixar ir. Tudo é decisão.

Esse texto é mais um lembrete a mim e aos meus leitores de mais tempo de que crescemos com tudo que passamos. E constatamos que, como dizem, soltar a corda dói menos que tentar continuar segurando.

     - Diogo Souza, 03 de outubro de 2017

Publicado em Especial
Domingo, 05 Novembro 2017 21:00

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
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Quando desci as escadas de sua casa e voltei pra rua senti um misto de alegria e desolação.De repente, as correntes não existiam mais e,por outro lado, era hora de seguir em frente e, talvez o mais complicado, encontrar uma nova direção. Parado, olhei para o fim da longa rua, estava claro que o horizonte estava lá, eu que nunca o levei a sério a ponto de segui-lo, estava tão cômodo em ter esta rua como ponto de encontro e refúgio que acabei esquecendo que a vida nos dá infinitas oportunidades de trilhas.

Uma leve chuva começou a cair e o vento frio tocou meu rosto sem muita delicadeza. Sei que a saudade faz estragos e que ela vai me torturar em dias melancólicos, mas quando tudo se acaba só há uma solução: começar de novo. Atrás de mim deixo a desilusão e a mágoa, que fique tudo para trás e que a dor diminua e um dia eu ainda possa pensar nisso como um lembrança especial, como tantas outras que tenho comigo.

Um homem apressado esbarrou em mim, saí do meio da calçada e continuei com o olhar direcionado ao fim da rua, mas com o foco mais perto, percebendo os chuviscos que caíam de forma dançante bem à frente da ponta do meu nariz.

Sei que você está aí atrás, olhando pela cortina e se perguntando o que ainda faço parado em frente àsua casa. Acho que estou deixando aqui o que precisa ser deixado, estou descarregando as emoções desnecessárias e tentando dizer ao meu coração que isso acabou faz tempo e que é hora de seguir em frente.

Parecia distante, mas era perto, uma senhorinha falava comigo bem baixinho:

“Está com algum problema, moço?”

Depois de algum esforço voltei a realidade e olhei a doce velhinha que segurava o guarda-chuva sobre minha cabeça me protegendo da chuva.

“O quê?” perguntei ainda atordoado.

“Você está se sentindo bem, rapaz? Está há um tempão aí parado na chuva.”

“Ah sim... Sim, estou me sentindo bem. Estou me sentindo muito bem. Obrigado.”

“Que bom, mas não fique tão pensativo assim na rua, é perigoso.”

Eu ri para ela e me ofereci para levar suas sacolas, ela negou, mas aceitou que eu levasse seu guarda-chuva, pois me disse que manter o braço erguido doía. A casa dela era do outro lado, justamente no começo da rua. No caminho ela me contou sobre como gostava daquelelugar e a saudade que tinha dos netos. Ao chegarmos em seu portão, nos despedimos e finalmente fui embora dali, estranhamente feliz e aliviado.

Publicado em Especial
Sábado, 28 Outubro 2017 21:00

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
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Faz um tempo que eu pedi aos seguidores do Cara do Espelho sugestões de temas para posts e vídeos no blog. Um dos temas foi a solidão na era da internet. Quando recebi a sugestão, iniciei um texto com coisas que pensava a esse respeito. Também fiz uma pesquisa na internet sobre o tema e montei uma lista do que eu achava que poderia ser.

Mas eu precisei de alguns meses para realmente entender o que era esse sentimento de solidão em plena era das comunicações digitais. Em mim, isso começou com aquele período em que ficamos cismados das coisas, com as pessoas e seus comportamentos a nossa volta. Então, todas aquelas publicações engraçadas, emocionantes, religiosas e sensuais que apareciam no feed do Facebook começaram a me incomodar.

Foi aí que encontrei um dado que me fez refletir sobre isso. Pesquisadores da Universidade Edinburgh Napier, da Grã-Bretanha, entrevistaram 200 estudantes que usuários do Facebook e outras redes sociais e listaram as situações que mais geram estresse. Dos alunos questionados, 12% disseram não gostar de receber novas solicitações de amizade, enquanto que 63% demoram para responder a esses pedidos. Os pesquisados afirmaram que se sentem pressionados para fazer atualizações criativas e manter seus perfis atualizados.

Essas e outras coisas estavam me deixando estressados, mesmo sem eu perceber e entender o motivo. Li que quando estamos sob estresse e ansiedade, as redes sociais e todo esse mundo virtual, que adotamos como real, começam a nos incomodar. E, nessas horas, segundo os especialistas, o melhor para nossa saúde é desconectar.

Então, depois de muito estresse, desativei minha conta no Facebook. Eu até achei que seria o fim desse foco de estresse, mas não. A grande maioria dos aplicativos e ferramentas online que uso para trabalhar estavam conectados ao Facebook. O Spotify, por exemplo, nem ao menos oferecia a possibilidade de logar sem a rede social (problema resolvido com o suporte, que está de parabéns). Tudo dependia do Facebook.

Foi aí que eu comecei a perceber a gravidade da coisa. Estou no Facebook há mais de seis anos e, de lá para cá, foram duas contas e milhares de informações que lancei na web para as grandes empresas do ramo dos algoritmos. Não tinha um dia que não olhasse o face, curtia e comentava coisas, compartilhava meus momentos, meus textos e minhas fotos. E, mesmo quando não tinha nada de interessante, o Facebook ainda dava um jeito de apresentar memórias antigas.

Mas de uns tempos para cá, tenho ficado mais ranzinza, é verdade.E toda aquela interação superficial, as brigas de opiniões, as receitas de bolo, as brigas religiosas, os bichíneos fofos e o deboche com a vida dos outros começaram a me incomodar profundamente. Coisas que eu faço e acompanho todos os dias, de repente, me pareciam autopromoção, falso, mentiroso...

Quando me desconectei do Facebook, também tentei diminuir o acesso às outras redes sociais e foi aí que percebi que a coisa era mais grave. Comecei a analisar as coisas ao meu redor. Até a avaliação do Uber, tanto a que você dá quanto a que recebe, é motivo de preocupação exatamente como no episódio “Nosedive” da série Black Mirror, que mostra como a dependência por likes pode afetar a vida de uma pessoa. Em todos os lugares, as pessoas à minha volta estão sempre com o celular na mão, sempre atualizando suas histórias, status e grupos. Uma mesa de rodeada de amigos com todos vidrados nos seus smartphones.

Publicado em Especial
Sábado, 21 Outubro 2017 21:00

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
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Você já olhou para o céu e se sentiu tão pequeninho quanto um grão de areia? Não? Deveria. Desde guri sou fascinado pelos céus. Aprendi que era lá onde Deus movimentava e observava toda essa loucura toda aqui em baixo. Também ficava imaginando se haveria, por essa imensidão espacial, outro moleque observando os céus como eu, adoraria conhece-lo.

Acredito que olhar o céu e se reconhecer como uma pequena parte de um todo, até então conhecido como infinito, é o maior ato de humildade e de humanidade que um ser humano pode fazer. Isso independe de crenças religiosas ou de rituais. É voltar às origens, voltar bilhões e bilhões de anos-luz até o Big-bang e simplesmente explodir e expandir. É expandir a mente ao infinito e saber que o céu não é o limite.

Saber que assim como as estrelas, todos aqui em baixo seguimos nossas órbitas (regulares ou não). Somos como constelações, estrelas que se observadas isoladamente não fazem muito sentido, mas em conjunto com outras, ainda que distantes, constituem formas, desenhos e significados. Olhar o céu me faz lembrar que precisamos um do outro para fazer sentido, que não somos o centro de nada, que há uma força maior nos guiando (divina ou meramente social, não sei). Olhar a imensidão do universo não me faz sentir pequeno, muito pelo contrário, me sinto especial. Isso me faz sentir único! Um cara extremamente sortudo por fazer parte de algo tão grandioso como a vida.

Publicado em Especial
Sábado, 14 Outubro 2017 21:00

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.

Por Diogo Souza, o Cara do Espelho.

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Há um tempo, tirei uma manhã de domingo para acompanhar minha amiga Michele no shopping. Só iríamos resolver uma coisa rápida numa das lojas e depois iríamos embora. Até a loja abrir, ficamos conversando e passeando pelo shopping quase deserto. Fomos à praça de alimentação e, enquanto comprávamos um milk shake, alguém tocou o ombro de Michele e ouvimos uma voz doce e trêmula falar:

- Uns com tanto e eu quase pelada.

Olhamos para trás de imediato em busca da dona daquela voz. A princípio, não entendemos de onde ela veio e, muito menos, do que ela estava falando. Só depois, observando melhor, vimos que era uma senhora de idade avançada, com alguns curativos na pele frágil e cheia de manhas e o cabelo muito falhado. Só aí entendemos que ela falando dos cabelos de minha amiga.

Michele é dona de um cabelo afro poderoso que chama atenção pela beleza e pelo volume. Quando cumprimentamos aquela senhorinha, sentimos aquela coisa boa quando conhecemos alguém do bem. Ela nos transmitiu uma energia tão boa que ficamos encantados na mesma hora. Sem exageros, ficamos sem reação, até mesmo para conversar um pouco mais com ela.

Eu e Michele ficamos impressionados com sua simpatia e graça. Ela nos desejou bênçãos e saiu. Algumas horas mais tarde, ainda no shopping, estávamos caminhando quando a reencontramos e, mais uma vez, ficamos sem reação, encantados com sua simplicidade e alegria. 

Muito festiva, pegou em nossas mãos amavelmente e pude sentir como sua pele era delicada. Ela recordou um ditado que costumava ouvir quando morava no Rio de Janeiro.

- Pessoas com a energia boa se atraem – disse com um grande sorriso no rosto.

Ela disse que nada era por acaso e que nossa energia, a de Michele e eu, a atraiu até nós. Ela era aquele tipo de pessoa fofa e nos marcou com sua simplicidade e humildade.

Conversando mais tarde com Michele, refletimos o quanto aquele encontro iluminou nosso domingo. Pode até parecer bobagem, mas aquela senhorinha com o cabelo falhado nos deu um lembrete da importância de cuidar da nossa energia, pois atraímos o mesmo que transmitimos. Semelhante atrai semelhante.

Sou grato a ela e à vida por mais esse aprendizado.

Publicado em Especial
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