Colunas

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Abre a boca, mana! Quem disse que as manas não podem falar sobre tudo? Pois é, aqui a gente vai conversar sobre as políticas envolvendo a comunidade LGBTQ, a criminalização da transfobia, lesbofobia e homofobia, o mercado de trabalho, as incríveis histórias de vida, denúncias e a importância da representatividade. A coluna é um espaço para novas frentes de pensamentos sobre o universo LGBTQ em Sergipe.

Prazer, Jonatan Santana!

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O amor não tem crença. Foi essa definição que, após conversar com duas amigas que estão em conflito entre religião e aceitação de um parente LGBTQ, tentei fazê-las entender. Mas, confesso, isso ainda é muito difícil de assimilar e colocar em prática.
 
Digo isto porque, quando uma pessoa tem certas convicções e vê alguém próximo caminhando de maneira contrária àquilo que ela acredita (sim, pensamento individual que não deve, em hipótese alguma, ser tomado como regra geral), os conflitos são inevitáveis. Por isso, os duelos -- e, consequentemente, as feridas -- existem. Porém, a solução para todas essas coisas está bem ao lado. E é preciso sabedoria, de ambas as partes, para enxergá-la.
 
Além de sabedoria, outra coisa também é primordial: dar tempo ao tempo. 
 
Somente ele cicatriza tudo, traz discernimento e compreensão. Ele também ensina a nos colocar no lugar do outro e, assim, entender que a paz, o apoio e o respeito são primordiais em um lar. 
 
Por isso, da mesma forma que há algum tempo disse a vocês, hoje, repito: o amor não tem crença. Desapegue de achismos pessoais e olhe para seu filho (a), irmão (a), sobrinho (a), tio (a), neto (a), vizinho (a), pai, mãe, toda e qualquer pessoa, primeiramente, com amor. Afinal, só ele vence todas as coisas. Inclusive as doutrinas e religiões.
 
Portanto, minhas amigas, amem. Esqueçam tudo. Ultrapassem tudo. Apenas amem. O resto, deixem com o tempo. Ele saberá mudar toda e qualquer história.
 
Podem ter certeza.

Sim Negra

Morena”, “parda”, “mulata”, “caucasiana escura”... sempre se utilizam de eufemismos, como se a cor negra fosse um problema, um defeito. Chega de eufemismos, chega de ignorar o óbvio: somos negros. Mestiços ou não, de pele mais clara ou não, carregamos em nossos traços, narizes, cabelos e corpos a benção da negritude.
Carregamos luta, carregamos força. Nada de diminuições, é negra. 
Prazer, Thiarlley Valadares. Sim, negra!

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Esses dias, usando determinada rede social, deparei-me com um vídeo que acusava a mídia de incentivar o racismo quando noticiava casos de violência e morte, motivadas pelo preconceito racial. Ao final do vídeo, o ator negro americano Morgan Freeman dizia em uma entrevista que o racismo seria exterminado quando se parasse de falar a respeito dele. Que o racismo teria fim quando a sociedade parasse de usar termos como “homem branco” e “homem negro”. Não me recordo a página que tratou do assunto, mas me lembro muito bem dos comentários que usavam o vídeo como base para destilar ódio pela população negra.

Bem, vamos lá. Se pararmos de falar sobre assalto, teremos o seu fim? Se pararmos de falar acerca dos homicídios, teremos o fim de mortes por armas? Se pararmos de falar sobre suicídio, teremos o seu fim? A resposta é óbvia: não. Cessar o discurso, seja ele na mídia, nas redes sociais ou nas rodas de conversa, não vai acabar com o fato, mas sim omiti-lo. Escondê-lo. O racismo sempre existiu no nosso país e sempre foi escondido, tratado como se não existisse. E essa é a maior razão para a desigualdade racial que temos no nosso país. Representamos 53,6% da população brasileira, mas somos tratados como minoria. Não estamos presentes na mídia, ao menos, não como deveria. Não estamos presentes em cargos mais altos e, nas ruas, somos tratados pela sociedade e pela polícia como inferiores.

Nossos jovens negros aprendem, desde cedo, o que é levar um baculejo da polícia, simplesmente por causa da cor. Nossos jovens negros sabem, desde muito crianças, o que é a desconfiança por parte dos que o rodeiam. Nossos jovens negros conhecem como ninguém o que a palavra racismo significa, em sua mais pura essência. Quando Morgan Freeman diz naquela entrevista que a sociedade precisa parar de usar termos como “homem branco” e “homem negro”, ele não está dizendo para calar a respeito do racismo, ele está dizendo para tratarmos uns aos outros com IGUALDADE, sem que a cor da nossa pele pré-determine o que fomos, somos ou que seremos.

Se calarmos a respeito do racismo que vivemos dia a dia, estaremos fazendo um desserviço com nós mesmos, com nossos irmãos que são acusados, não por terem feito algo, mas sim pela cor que carregam na sua tez. Se calarmos a respeito do racismo, escondemos o jovem que foi retirado do show do Coldpay, em São Paulo, por conta da sua cor. Se calarmos a respeito o racismo, velamos o fato da jovem que foi acusada de roubar o casaco que lhe pertencia e já portava antes de adentrar uma loja. Se calarmos a respeito do racismo, CONCORDAMOS COM ELE.

Então, não.

Não nos calaremos.

Quando o racismo existir, nós vamos gritar em alto e bom som.

A FOICE E O TEMPO

Transtorno Poetico

Poeta, escritor, compositor sergipano e parceiro musical de muitos; idealizador do projeto literário multimídia Transtorno Poético; integrante do duo InspiraSons - um misto de música e poesia que vem percorrendo saraus pelo Brasil afora; duas vezes finalista do Festival Sescanção; premiado no Festival de Música da TV Atalaia enquanto compositor; criador e um dos produtores culturais do evento Pôr do Sol, Som & Poesia. Pelos meus caminhos, b
usco reunir trabalhos autorais em diversos segmentos artísticos e trazer a poesia para o cotidiano, para bares, casas de show e festivais.
Prazer, J. Victor Fernandes!
www.transtornopoetico.tumblr.com | www.facebook.com/transtornopoeticoo | Instagram: @transtorno_poetico, @inspirasons | 

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Foi-se o tempo
Foice a podar
O chão das horas
Os dias a debulhar
O tempo é senhor
Ampulheta, Cronus
A nos cobrar a lição dos anos
A terra é senhora
Semeadura, duro chão
Do ouro ao latão de água na cabeça
Nas veredas do meu sertão
Corta, parte, leva consigo
Um pedaço do meu coração
Vejo no espelho um velho amigo
No nascer de cada morte
No norte do que se foi
Foice também comigo
A foice e o tempo
São um corte de vida ligeira
Ser feliz e sentir dor
Bendizendo toda praga
Que sangra luz, bem devagar das minhas chagas
Em campos de nascer flor.

            
                    - J. Victor Fernandes.


 PRÓXIMAS PARTICIPAÇÕES E DICAS CULTURAIS

O PESSOAL DO CEARÁ HEITOR

Heitor Mendonça Canta O Pessoal do Ceará.

Heitor Mendonça, cantor e compositor sergipano premiado, traz para o público do Café da Gente um show inédito, ao qual reúne composições marcantes da música popular brasileira, com foco em três grandes compositores – Ednardo, Amelinha e Belchior – que fizeram parte do movimento artístico que ficou conhecido como O Pessoal do Ceará.

Com o pensamento engajado no constante debate sobre construção cultural, sobre “sergipanidade”, sobre fortalecimento da autoestima artística de um povo e em busca do aprendizado da trilha dos nossos conterrâneos e mestres, em paralelo com os ditos tempos surreais que experimentamos enquanto brasileiros, eis que surge a necessidade e a importância do show que se pretende apresentar sob uma atmosfera similar de inquietação, descobertas e transformação que fez surgir o movimento que se homenageia.

O Pessoal do Ceará foi um movimento cultural brasileiro surgido na década de 1960, sendo um dos mais importantes movimentos da música contemporânea cearense. O movimento surgiu após se formar no Ceará um grupo de artistas e intelectuais que pensavam, criavam, recriavam todas as questões que inquietavam o país na época. Entre seus integrantes existiam filósofos, físicos, químicos, arquitetos, músicos, poetas, cantores e atores.

Teremos uma noite inesquecível e necessária.

Quando? Dia 01 de dezembro, às 20h. Onde? No Café da Gente Gastronomia(anexo ao Museu da Gente Sergipana). Couvert artístico no valor de R$ 20,00(vinte reais).

OCUPE A PRAÇA POESIA

 

Ocupe com Poesia

A Prefeitura de Aracaju, através da Funcaju  e o Núcleo de Produção  Digital Orlando Vieira tem a honra de anunciar a  13 ª edição do ocupa a Praça e desta vez celebrando a poesia! Confere a programação!

No cinema exibiremos  o curta metragem  “Transubstancial”  sobre o poeta Augusto dos Anjos, com direção de  Torquato Joel;

Relaçamento da Revista  Cultural SCAS - Sociedade de Cultura Artística de Sergipe, de Ilma Fontes;

Lançamento do Livro "Mirela e o Dia Internacional da Mulher" de Ana Maria Prestes , neta de Luiz Carlos Prestes.

Comemoração de aniversário de um ano de lançamento do livro ”Sala de Estar “ da poeta sergipana  Mônica Meira.

Pocket  Show com InspiraSons , participação de Pedrinho Mendonça  e Letícia Paz

Circulo de poesia : Arte infinita

Poetas

J. Victor Fernandes , Luana Lima, Lelê Teles, Glória Costa,  Emanuella Tarquínio, Vinícius Oliveira , Letícia Paz,  Hugo Arcanjo, Frances Mendonça , João Brasileiro , Ana Gabriela Machado, Maira Magno, Larissa Galvão, Bruno Pinheiro,  André Lucas e Chiquinho do Além Mar.
     Sonoplastia - Paulinho Araújo

MEDIOCRIDADE

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
Por Diogo Souza, o Cara do Espelho.

http://www.facebook.com/diogocaradoespelho | http://www.instagram.com/caradoespelho

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“A poesia natural que o rodeia,
ao se refletir na imaginação,
não se transforma em poema.
Ele é, somente, um objeto no quadro,
uma pincelada;
um acidente na penumbra.”
(O Homem Medíocre – José Ingenieros)

A lua parecia sorrir no céu, mas ele não percebia. O vento soprava e soava por entre os montes compondo uma música lenta e melancólica, mas ele não ouvia. As águas livres da pequena cachoeira diante de si declamavam poesias heroicas e ardentemente apaixonadas, mas ele não as entendia.

Ele não estava distraído, apenas não podia ir além do que seus olhos podiam ver e os ouvidos escutar. Ele estava congelado como um grande iceberg à deriva no oceano gelado. Sua frieza veio com os anos, com os nãos, com as desilusões, a falta de fé em si mesmo e o amor próprio nunca cultivado naquelas terras.

Seu olhar seguia fixo, olhando tudo e não enxergando nada. Ele era quase como uma daquelas rochas inanimadas onde costumava se sentar nos fins de tarde. Tinha toda a poesia do mundo diante de si, mas não a captava, não se apoderava dela.

O reflexo de seu corpo imóvel sentado ali dançava na água do riacho ao ritmo da melodia do vento e da poesia da cachoeira, mas ele não percebia. Não era capaz. Ele estava cego, surdo e mudo.

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Abre a boca, mana! Quem disse que as manas não podem falar sobre tudo? Pois é, aqui a gente vai conversar sobre as políticas envolvendo a comunidade LGBTQ, a criminalização da transfobia, lesbofobia e homofobia, o mercado de trabalho, as incríveis histórias de vida, denúncias e a importância da representatividade. A coluna é um espaço para novas frentes de pensamentos sobre o universo LGBTQ em Sergipe.

Prazer, Jonatan Santana!

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“Casais como vocês são bem mais infiéis e extremamente ciumentos, né?”. Foi esse o questionamento que, dias atrás, uma pessoa me fez.  Seus olhos curiosos escondiam algo cruel que, mesmo com diversos diálogos sobre o assunto, ainda se mantém presente: a estereotipação das pessoas LGBTQs.

Não sei como nem onde surgiu a ideia de que o gênero e orientação sexual estão inteiramente ligados a sentimentos possessivos e deslealdade. Mas essa não foi a primeira vez que escutei algo do tipo. E tenho certeza que você que está lendo já ouviu também. Daí surge o questionamento: por que nos definir dessa forma?

Antes de nos apontar como traidores, lembrem-se: no Brasil, a infidelidade é uma questão cultural. Lamentavelmente. Nosso país é o segundo no ranking mundial de traições, perdendo apenas para os casais holandeses. E essa informação não surgiu em nenhuma fofoca de vizinhança. Foi resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo Second Love, portal especializado em relações extraconjugais. E querem saber a grande surpresa? Os casais LGBTQs representam somente 13% dos casos. As relações heterossexuais são as que mais registram episódios de adultério - e os homens cis são as pessoas mais infiéis, de acordo com a pesquisa. 

Além disso, é preciso entender de uma vez por todas que nenhum grupo social pode receber qualquer tipo de definição baseada no seu achismo individual, e por que não dizer, preconceituoso?

Sabe, nos entregar o estigma de infiéis e ciumentos é bizarro. Aliás, é terrível qualquer pecha a nós atribuída, com base naquilo que você acha ou deduz - até porque já carregamos estereótipos demais, não é mesmo?

Então, vamos fazer um acordo: cuide de sua vida e da sua relação. Foque em você e esqueça essas bobagens fundamentadas em achismos. Tenha certeza de uma coisa: a traição pode ocorrer em qualquer relação. Inclusive na sua.

 

Sim Negra

Morena”, “parda”, “mulata”, “caucasiana escura”... sempre se utilizam de eufemismos, como se a cor negra fosse um problema, um defeito. Chega de eufemismos, chega de ignorar o óbvio: somos negros. Mestiços ou não, de pele mais clara ou não, carregamos em nossos traços, narizes, cabelos e corpos a benção da negritude.
Carregamos luta, carregamos força. Nada de diminuições, é negra. 
Prazer, Thiarlley Valadares. Sim, negra!

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Cobrança: sub. fem.: ato ou efeito de cobrar ou receber quaisquer dívidas ou donativos.

Sendo assim, entendemos que, para que algo seja cobrado, é preciso que se esteja em dívida para com o indivíduo que realiza a cobrança, correto? Logo, uma coisa simplesmente não entra na minha cabeça: por que mulheres são tão cobradas, o tempo todo, por suas ações ou não-ações?

Veja, como a definição da palavra explica no início deste texto, o ato de cobrar está ligado a dívidas e donativos. Então, o que nós devemos a sociedade? O que há em nossas escolhas que exija essa cobrança? Nós devemos alguma coisa, única e exclusivamente por sermos mulheres?

E é incrível que, mesmo que as nossas ações e escolhas sejam exatamente aquilo que a sociedade deseja, de uma maneira ou de outra, seremos cobradas. Sem contar, é claro, que a cada passo dado em nossa história, as cobranças não param, elas mudam de área. Embora tenhamos conquistado espaço nas universidades e no mercado de trabalho, junto dessa conquista, veio, ora essa, a cobrança! Segundo a psicóloga Lígia Baruch Figueiredo, mestre e doutoranda em Psicologia pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), onde também é pesquisadora no Núcleo de Família e Comunidade, a sociedade ainda espera que a mulher ocupe as funções tradicionais. Ainda que trabalhe fora, deve colocar em primeiro lugar o cuidado com a família. A mulher sempre terá de se sacrificar ou a seu trabalho em prol do lar.

Ah, o lar! Nossa única e exclusiva obrigação, desde os primórdios. Apesar de grande aceitação por parte de companheiros, a divisão das tarefas acaba sendo desigual e a mulher, ainda que trabalhe fora, continua tendo a maior carga de tarefas ao chegar em casa. E isso também é reflexo da forma que os meninos são criados, já que aprendemos, desde cedo, que temos as obrigações de lavar louças, arrumar cama e brinquedos, enquanto os meninos aprenderão a “ser o responsável pela casa”, como já vi e vivenciei em diversos lares, principalmente cristãos.

Se casamos ou não, se temos filhos não, se trabalhos fora ou não, se estudamos ou não, se nos divorciamos ou não, independente de qual seja a decisão da mulher, a cobrança virá, direta e dura, talvez até num tom brincalhão, mas ela estará lá. Mas é preciso estar fixo na mente feminina que nada fizemos, logo, nada nos deve ser cobrado. Não devemos explicações de nossas ações ou não-ações, pois, ora essa, não estamos em dívida com ninguém! Sejamos livres para decidir o que bem entendemos e, quando as cobranças vierem, ignore-as. Ou, ficando a seu critério, responda-as a altura.

A vida é sua e só você sabe o que é melhor para o seu futuro.

Cara do Espelho

Quando a gente se olha no espelho e não se reconhece ou enlouquece ou escreve. Fiz um pouco dos dois. Estudo jornalismo e escrevo no blog Cara do Espelho sobre o que vejo, sinto e reflito. No mais, não sou nada. Estou de passagem, estou em mutação, em evolução. Apenas estou.
Por Diogo Souza, o Cara do Espelho.

http://www.facebook.com/diogocaradoespelho | http://www.instagram.com/caradoespelho

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Ao longo dos anos, venho conhecendo diversas pessoas por meio do blog, pessoas que lêem, se identificam com algum trecho, que concordam ou não, etc. Pessoas diferentes, distantes fisicamente e até mesmo socialmente, mas a maioria aparecia com algo em comum: a dor da perda. O “deixar ir” era o maior desafio naquele momento.

Temos uma tendência a idealizar a vida, a esperar demais e nos apegar demais às pessoas, locais ou momentos. No entanto, tudo é passageiro. Há coisas que duram muito tempo, outras nem tanto. Aprendemos a conquistar e a vencer, mas nem sempre estamos prontos para derrota.

Lembro que alguns daqueles leitores reclamavam de quase tudo o que viveram e viviam ao lado de seus parceiros, a maioria eram relacionamentos falidos, desgastados por brigas, orgulho e ciúmes, alguns até mesmo por abuso. Faziam questão de mostrar porque eram infelizes. No entanto, mesmo com tantos motivos, ainda era muito difícil reconhecer que o ponto final talvez fosse a melhor solução.

Um leitor uma vez comentou sobre um texto meu e disse que sentia que era hora de dar um basta na relação que vivia na época. Dizia-se cansado de sofrer e de viver tantas instabilidades pelas incertezas da outra pessoa. Ele já sabia que não valia a pena sofrer nem se desgastar tentando fazer a relação voltar a ser como era no início. Esse leitor se tornou um grande amigo e o vi escrever seu ponto final discreta, calma e decididamente. Ainda assim, não foi um processo fácil, como pude acompanhar.

Muitas vezes, os parágrafos finais de uma história já foram escritos, mas falta coragem para colocar o último ponto. Decidir talvez seja a parte mais difícil, pois o que vem depois é libertador. Deixar a pessoa ir é uma grande prova de amor ao outro e a si mesmo, afinal sofrer não vai fazer bem a nenhum dos dois.

Dalai Lama escreveu sobre quando estamos envolvidos demais com qualquer sentimento, seja amor ou ódio, e que temos que olhar para dentro e questionar: “o que é afeto? E o que é apego? Qual a natureza da raiva?”. As respostas estão dentro de nós e nos cabe entender até onde vai o afeto e começa o apego.

Do que você precisa desapegar?

Desapegar no sentido de saber que estamos todos de passagem e que ninguém pertence a ninguém. Saber que as coisas nem sempre saem como queremos. Perdoar os erros do outro. Reconhecer os próprios erros. Perdoar a si mesmo. Deixar ir. Tudo é decisão.

Esse texto é mais um lembrete a mim e aos meus leitores de mais tempo de que crescemos com tudo que passamos. E constatamos que, como dizem, soltar a corda dói menos que tentar continuar segurando.

     - Diogo Souza, 03 de outubro de 2017

DESABAFO DE GENI

Transtorno Poetico

Poeta, escritor, compositor sergipano e parceiro musical de muitos; idealizador do projeto literário multimídia Transtorno Poético; integrante do duo InspiraSons - um misto de música e poesia que vem percorrendo saraus pelo Brasil afora; duas vezes finalista do Festival Sescanção; premiado no Festival de Música da TV Atalaia enquanto compositor; criador e um dos produtores culturais do evento Pôr do Sol, Som & Poesia. Pelos meus caminhos, busco reunir trabalhos autorais em diversos segmentos artísticos e trazer a poesia para o cotidiano, para bares, casas de show e festivais.
Prazer, J. Victor Fernandes!
www.transtornopoetico.tumblr.com | www.facebook.com/transtornopoeticoo | Instagram: @transtorno_poetico, @inspirasons | 

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Sim, desde pequena

a cena que imaginam

não me define

tentem entender...

Ao relento

meu corpo nasceu

meu corpo conheceu

o mundo, o fundo

do olho da rua.

minhas regras

minhas chances

minhas escolhas

minha pele nua

nada me faz perder.

Alpinista do fundo do poço

rainha de mim

nesse mundo meu amigo

somos todos lazarentos

feitos de tripas, carne e osso

Maria vai com quem quiser

Jean Varjan, Dos santos, da Silva

de ninguém ou da família real

sobrenomes, sobretudo miseráveis

no Brasil do surreal

do malandro periculoso no congresso nacional.

Na rua da frente, na beira dos mares

no cais do porto, em Budapeste, Aracaju, ou em Macondo

prisioneiros e carcereiros

uns dos outros,

estes olhos que me julgam

que me miram: Sociedade                !

Saciedade... Viver é meu prazer

não escondo

e tudo é sobre viver, sobreviver.

Coleciono amavéis loucos

muitos se trataram

ao se lambuzarem em meu batom carmim

amiúde, bem aos poucos

fui me fazendo assim:

O que pensam

não me impede de ser

dessas pedras que me jogam

fiz caminho

dessa saliva

vi depois o espanto das bocas secas

das vidas secas.

Qual o quê, o que fazem das vossas vidas

com o tempo que pretendem tomar da minha?

Não se enganem

eu também faço amor

e sei quando o faço

se com os bichos

ou um gozo em cochicho atrás da igreja

essa de milenares pecados...

Sim, fiz por amor

o comandante do Zepplin chamava por uma

mulher quando dormia

não sei se sua mãe, ou sua tia

eis que se dobrava num murmurar sem fim

aquele homem frio e feito de aço

e vocês também o são assim!

Em coro bem me dizem, mal me dizem

bem me querem, mal me querem

arrancando os meus pedaços

vejam essa paz em meus traços.

Pelos Anjos: A mão que afaga é a mesma que apedreja!

Veja, você aí que jogou merda

durante o tempo das suas regras, por muitos anos

seu marido vinha ao meu leito

e eu que nunca quis um lar desfeito o ninava até dormir.

Tantos fizeram meu colo de divã

e meu ouvido de confessionário

inclusive A Bailarina, pobre menina

pelo tanto que queria abandonar a “perfeição”

Homens, mulheres, jovens e sexagenários.

Vã seria eu contar tantos segredos de estado

ninguém chorou através de mim o leite derramado

pensando bem: Poderiam me chamar de Pandora

eis que nunca me abri

não sou flor, sou borboleta.

A senhora baixe o dedo, à quem interessa julgar

primeiro

é menos puta quem casa por dinheiro?

Sou feita do pó das estrelas e das cinzas

das fogueiras que queimaram minhas avós

aquelas que chamavam de bruxas

quando pensar diferente se chamava heresia.

Sou filha da terra, como uma semente de sonhos

deixada por um dos Passarinhos de Manoel de Barros

só que me fizeram germinar árvore estranha

criada num mar medonho de hipocrisia

testada do útero às entranhas.

Engulam seus escarros

economizem seus engodos e olhem para cima...

Esse céu que nos guarda é uma cúpula de vidro

e é de nós todos, bem como a lua que nos encanta

e o sol que nos ilumina

Olhem para cima!

Estamos todos por um triz

e viveremos mais um dia, mais um amanhecer.

Meretriz, o dizes, santa, pecadora, sonhadora, Madalena,

faço cena, o dizes, do social abdico ser atriz 

não quero mais do que apenas ser, eu, apenas ser

e quem sabe isso seja... Simplesmente SER FELIZ.

- J. Victor Fernandes.

* Texto feito sob encomenda para o Nanã Trio, apresentado no show “À Flor da Pele”, que homenageou o feminino na obra de Chico Buarque, na noite da última sexta, 10 de novembro.


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