Terça, 19 Dezembro 2017 00:00

COCO EM SERGIPE | Menor Estado é o terceiro maior produtor do Brasil

Escrito por 

Coco GERAL SAULO COELHO

Sergipe é o terceiro maior produtor de coco verde irrigado do país, possuindo 5 mil hectares de coqueiro anão | Foto: Saulo Coelho


O menor estado do Brasil se destaca entre os três maiores produtores de coco verde do país. Atrás apenas da Bahia e do Ceará, estados com extensão territorial muito superior, Sergipe abriga 5 mil hectares dos 150 mil dedicados à plantação do Coqueiro-Anão em todo o território nacional, e se projeta internacionalmente por possuir o maior Banco de Germoplasma da América Latina. Nele, estudos e melhoramentos genéticos são realizados pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, a fim de conservar e adaptar as espécies à máxima eficiência produtiva com o menor uso de água possível.

Advindo do ecotipo Coqueiro-Anão e utilizado para fins de produção de água, o coco verde está concentrado principalmente na região do Platô de Neópolis, distrito de irrigação localizado no Baixo São Francisco sergipano, na região norte do estado. Dos 5 mil ha existentes em Sergipe, Neópolis abriga entre 2 e 3 mil. O restante da produção se concentra na baixada litorânea, com pequenas manchas em áreas interioranas, como Canindé de São Francisco, no Alto Sertão. 

Os Coqueiros-Gigantes, por sua vez, estão distribuídos ao longo de toda a região de tabuleiros costeiros de Sergipe. Produzido e colhido historicamente em propriedades antigas, o coco seco tem cultivo tradicionalmente caracterizado pela utilização de mão-de-obra mínima e tipicamente familiar. É o que afirma o pesquisador Ronaldo Resende, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa. “Na realidade regional, o Coqueiro-Gigante representa toda a paisagem do Nordeste brasileiro, mas é praticamente uma cultura que, quando vai dando, o produtor vai colhendo. E que também sofre competição com outras culturas de commodities, que são mais interessantes economicamente”, analisa.

Coco FRUTO SAULO COELHO

Em oposição, o coco verde, que corresponde a cerca de metade de todo o plantio brasileiro, depende da irrigação para render. Com demanda hídrica relativamente alta para garantir a produtividade, o coco verde precisa de, aproximadamente, 170 litros de água de irrigação para cada litro de água de coco produzida, segundo Resende. “A nossa realidade local no Platô é a utilização de, em média, 150 litros de água de irrigação por planta, por dia. Mas são plantas com uma produtividade que justificam esse investimento. Já para o coco seco, a irrigação não costuma ser utilizada, não havendo ainda inclusive, trabalhos mostrando como ele se comportaria num regime irrigado”, comenta.

Segundo o pesquisador, para a produção do coco verde, a irrigação utilizada é basicamente o sistema de microaspersão. “Na irrigação localizada, a depender do calibre do microaspersor, chegamos a vazões de 70, 80, 90 litros por hora. Com a utilização de um gotejador, cujas vazões são na faixa de 2, 4, 6, 8 litros por hora a depender do modelo, fazemos a associação de vários gotejadores. Além da linha principal, é colocado um tubo mais fino redor da planta, para instalar os gotejadores, a fim de que o conjunto das vazões chegue ao volume desejado”, detalha.

Mas, irrigado ou não, o coco tem como característica a produção contínua. São floradas quase mensais, sobretudo no Coqueiro-Anão. Já no Coqueiro-Gigante, a prática comum é fazer a colheita trimestralmente ou quadrimestralmente. “O coco verde irrigado tem colheita contínua. Num regime desse, em uma produtividade razoável para a nossa condição de Nordeste, uma planta chega a dar 150, 200 frutos por ano, por planta. A nossa média é um pouco abaixo disso, temos uma produção de 120  a 130, e algumas propriedades chegam a 150, 160 frutos por planta/ano. Em apenas algumas pequenas áreas mais produtivas é que se chega a 180, 190 frutos”, conta Ronaldo Resende.

Na região de Semiárido, é possível se conseguir uma produtividade maior com o uso da irrigação, segundo o pesquisador, em virtude principalmente da luminosidade. “No semiárido temos mais energia, em termos de hora de Sol. Além do mais, na nossa região, a cultura está muito associada ao tipo de solo característico, que são solos mais pobres, com menor capacidade de armazenamento de água. Então, as condições edafoclimáticas são favoráveis à produção do coco, mas necessariamente com a irrigação – que, no Semiárido, é obrigatória. Nas regiões litorâneas, ela é altamente recomendada. Deixar de irrigar significa uma queda expressiva na produção. Se o produtor depender só do regime de chuvas, com certeza vai ter uma redução de 30 a 40% na sua produtividade”, explica Ronaldo.

Financiamento e aptidão
Irrigar, contudo, não é algo simples de se fazer, primeiramente, porque demanda algum investimento. O gerente executivo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) do Banco do Nordeste em Sergipe, Volnandy Brito, explica que o BNB dispõe de uma série de linhas de financiamento para o mini, o pequeno, o médio e o grande produtor. “Estamos encerrando 2017 tendo investido cerca de R$ 100 milhões na agricultura familiar. Em 2018, nosso objetivo é manter essa performance de financiamento, pois o setor primário é que alavanca os demais setores da economia”.

Volnandy Brito BNBAtravés do Pronaf A, é possível que os produtores de Assentamentos de Reforma Agrária consigam recursos de até R$ 26,5 mil, sendo R$ 1,5 mil para assistência técnica e R$ 25 mil para a área produtiva. Já o Pronaf B possibilita que o agricultor familiar adquira financiamento de até R$ 5 mil, podendo chegar a R$ 15 mil pela metodologia do Agroamigo, sem a necessidade da escritura; ou até R$ 175 mil com escritura. O mini e o pequeno produtor, por sua vez, têm acesso a recursos entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões; enquanto ao médio e ao grande produtor podem ser concedidas linhas de financiamento sem limite pré-estabelecido, com definição relacionada ao estudo de viabilidade e à garantia rural.

Ainda segundo Volnandy, um dos grandes entraves à produção irrigada em Sergipe é a dificuldade em se conseguir a emissão da declaração de aptidão. “Se o empreendimento pretender utilizar para a irrigação, água advinda de rio nacional ou águas subterrâneas, deverá ser licenciado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA; sendo local, é a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) que autoriza e emitie a declaração de aptidão. A gente poderia financiar muito mais projetos de coco irrigado se não levasse tanto tempo para se conseguir isso. No final das contas, cerca de 90% dos projetos que financiamos são em regime de sequeiro”, detalhou.

É possível encontrar as diretrizes relativas a esse tipo de licenciamento na Resolução Nº 284, de 30 de agosto de 2001, do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, que dispõe sobre o licenciamento de empreendimentos de irrigação.

Participação relevante
Segundo o estudo que detalha as safras agrícolas do Brasil e do Nordeste em 2016 e 2017, elaborado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste – ETENE, a produção brasileira em 2017 foi superior à de 2016, chegando a 1.768.744 (produção estimada em mil frutos). Destes, o Nordeste foi responsável por 1.311.582, número que revela o peso da cocoicultura para a região. Confira a fatia percentual de participação da produção do Nordeste na safra brasileira de Coco:


Grafico coco ETENE pizza safra

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola – SIDRA do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE aponta que, em novembro, Sergipe foi o terceiro maior produtor (geral) de coco, com 230.646 (por mil frutos), logo depois do Ceará (262.226) e da Bahia (542.217), conforme representação gráfica a seguir:

Grafico coco IBGE disco por estado

|Por Rebecca Melo - Equipe Soma Notícias
|Fotos: Saulo Coelho e Rebecca Melo

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