Sábado, 26 Agosto 2017 21:00

Parem de nos matar!

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Abre a boca, mana! Quem disse que as manas não podem falar sobre tudo? Pois é, aqui a gente vai conversar sobre as políticas envolvendo a comunidade LGBTQ, a criminalização da transfobia, lesbofobia e homofobia, o mercado de trabalho, as incríveis histórias de vida, denúncias e a importância da representatividade. A coluna é um espaço para novas frentes de pensamentos sobre o universo LGBTQ em Sergipe.

Prazer, Jonatan Santana!

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Hoje é 27 de agosto de 2017 e, até o momento, 255 indivíduos LGBTQ foram mortos no Brasil. O número de homicídios ultrapassa a quantidade de dias que o ano teve e, num cálculo simples, chegamos ao resultado de 1,06 morte/dia. Até o final do ano, o número poderá ultrapassar os registros de 2016 -- que chegaram a um total de 343 assassinatos. Estamos falando de trezentas e quarenta e três pessoas mortas pelo simples fato de serem quem são. O número é vergonhoso e coloca o Brasil no topo da lista dos países que mais matam LGBTQ's no mundo. Por isso as manifestações e atos políticos, como a Parada do Orgulho LGBTQ, são tão importantes.

É triste constatar que o crescimento das mortes dessas pessoas não segue o mesmo ritmo das investigações e punições necessárias. Um relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), revela que somente em 17%, dos homicídios registrados em 2016, os criminosos foram identificados e em menos de 10% das ocorrências houve abertura de processo e prisão dos assassinos. Pior de tudo é saber que, entre os identificados, muitos eram conhecidos das vítimas. Sendo que, o total de familiares envolvidos nos crimes chega a 13%. Namorados (a), amantes, clientes, profissionais do sexo e desconhecidos em sexo casual foram responsáveis por 47,5% de todos os casos.

Segundo o site Homofobia Mata a cada 22h um LGBTQ é morto no Brasil. Os números, identificação e localização podem ser encontrados neste link  que também mostra, em imagens, as formas cruéis que essas pessoas foram mortas. Mas, para evitar que esses dados continuem tão frequentes, as denúncias são imprescindíveis. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), por exemplo, disponibiliza o Disque 100, uma maneira gratuita e anônima de delatar as ocorrências contra os LGBTQ’s e, assim, identificar os criminosos.

É preciso abrir a boca. Não se calar jamais. E digo isto porque ser travesti, transexual, bissexual, lésbica ou gay, no Brasil, é um desafio diário. É ter que provar, diariamente, que tem capacidade para exercer qualquer cargo ou função, mesmo convivendo com o medo, olhares opressores, discriminatórios e a intolerância machista dominante em nosso país. Ser LGBTQ é vencer lutas diárias contra tudo e todos. E, no final do dia, agradecer por não ter entrado nas estatísticas. Então, por favor, se não for pedir muito: parem de nos matar!

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